08/02/2021

Idiomas mais difíceis exigem menos atividade do cérebro

Redação do Diário da Saúde
Idiomas mais difíceis exigem menos atividade do cérebro
Esta descoberta também contribui para explicar por que línguas com menos distinções gramaticais são encontradas com mais frequência entre as línguas do mundo.
[Imagem: Sebastian Sauppe et al. - 10.1371/journal.pbio.3001038]

Trabalho do cérebro para falar

Alguns idiomas requerem menos atividade neural do que outros, mesmo para os falantes nativos.

Mas esses idiomas "menos cerebralmente intensivos" parecem ser justamente o contrário do que poderíamos imaginar.

Pesquisadores da Universidade de Zurique (Suíça) descobriram que os idiomas frequentemente considerados "fáceis" de se aprender na verdade exigem uma enorme quantidade de trabalho do nosso cérebro.

Já aqueles idiomas mais difíceis parecem exigir menos do cérebro.

Línguas fáceis e línguas difíceis

Falar é algo que parece um processo fácil, quase funcionando por si só. Nosso cérebro, entretanto, tem muito trabalho a fazer quando construímos uma frase.

"Além disso, os idiomas diferem de inúmeras maneiras e isso também significa que há diferenças em como planejamos o que queremos dizer em diferentes idiomas," explicou o professor Balthasar Bickel.

E se algumas línguas parecem mais fáceis, é porque fazem menos distinções em sua gramática.

Enquanto o português e o inglês, por exemplo, sempre usam o artigo (por exemplo, "A árvore é alta" e "A neve cobre a árvore"), o alemão faz uma distinção entre sujeito (der) e objeto (den), por exemplo, em "Der Baum ist grob" (A árvore é áspera) e "Schnee bedeckt den Baum" (A neve cobre a árvore ).

Analisando o cérebro durante a fala

Os pesquisadores descobriram que, embora uma linguagem possa parecer "mais fácil" para nós à primeira vista, ela realmente requer mais trabalho dos nossos neurônios, enquanto idiomas considerados difíceis, como o hindi, falado por 70% dos indianos, exige menos do cérebro.

Eles descobriram que ter menos distinções gramaticais torna o planejamento particularmente exigente para o cérebro e requer mais atividade neural.

A razão provável para isso é que ter menos distinções significa manter mais opções abertas para os falantes sobre como continuar uma frase.

"Isso tem, no entanto, uma vantagem crucial para os falantes: Idiomas com menos distinções permitem que os falantes se comprometam com a frase inteira apenas no final do processo de planejamento," disse Sebastian Sauppe, principal autor do estudo.

Esta descoberta também contribui para explicar por que línguas com menos distinções gramaticais são encontradas com mais frequência entre as línguas do mundo.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Neural signatures of syntactic variation in speech planning
Autores: Sebastian Sauppe, Kamal K. Choudhary, Nathalie Giroud, Damián E. Blasi, Elisabeth Norcliffe, Shikha Bhattamishra, Mahima Gulati, Aitor Egurtzegi, Ina Bornkessel-Schlesewsky, Martin Meyer, Balthasar Bickel
Publicação: PLOS Biology
DOI: 10.1371/journal.pbio.3001038
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