10/06/2021

Inteligência artificial no celular monitora bem-estar dos pacientes entre consultas

Redação do Diário da Saúde
Inteligência artificial no celular vai monitorar seu bem-estar em tempo real
Os programas podem ser configurados para avisar o médico automaticamente sobre níveis de hiperexcitação.
[Imagem: J. Christopher Fowler et al. - 10.1097/PRA.0000000000000535]

Hiperexcitação

Pesquisadores desenvolveram uma plataforma eletrônica para ajudar os pacientes a gerenciar seu bem-estar mental enquanto lidam com suas expectativas sobre a doença entre as consultas, quando costumam se sentir desamparados e com altos níveis de incerteza.

A ajuda vem na forma de um aparelho "inteligente", capaz de monitorar continuamente o estado que os psicólogos chamam de "hiperexcitação", um dos sinais de sofrimento psíquico.

Segundo os primeiros testes, a tecnologia consegue ler pistas faciais, analisar padrões de voz e integrar leituras de sensores de sinais vitais para determinar se o paciente está sob estresse - tudo rodando em um relógio digital ou em um celular.

Além disso, os pesquisadores testaram a tecnologia para fornecer feedback e alertar as equipes de atendimento se houver uma deterioração abrupta na saúde mental do paciente.

"A saúde mental pode mudar muito rapidamente e muitas dessas mudanças permanecem ocultas dos médicos ou conselheiros," disse o Dr. Farzan Sasangohar, da Universidade Texas A&M (EUA). "Nossa tecnologia dará aos médicos e assistentes sociais acesso contínuo às variáveis e ao estado do paciente, e acho que terá uma implicação capaz de salvar vidas porque eles podem alcançar os pacientes quando precisarem. Além disso, capacitará os pacientes a administrar melhor sua saúde mental."

Inteligência artificial no celular

Ao contrário de algumas doenças físicas, que geralmente podem ser tratadas com algumas visitas ao médico, as pessoas com necessidades de saúde mental podem requerer um longo período de cuidados.

Acontece que muita coisa ocorre nos intervalos entre as consultas, e é virtualmente impossível sincronizar os momentos críticos do paciente com as datas das sessões, que são agendadas previamente. Com isto, o paciente sofre sozinho e, quando da consulta, o médico não recebe informações sobre todo o período, dificultando o tratamento.

Em vez de confiar apenas na avaliação subjetiva e na memória dos pacientes, Sasangohar e sua equipe desenvolveram um conjunto completo de software para analisar de forma automática a hiperexcitação. Esses aplicativos, que podem rodar em um celular ou em um relógio inteligente, reúnem dados de reconhecimento facial e de voz e sensores integrados nos aparelhos, como sensores de frequência cardíaca e pedômetros.

Os dados de todas essas fontes treinam algoritmos de aprendizado de máquina para reconhecer padrões que mostram o estado normal de excitação de cada paciente. Uma vez treinados, os algoritmos podem examinar continuamente as leituras provenientes dos sensores e aplicativos para determinar se o indivíduo está em um estado de excitação elevado.

"A chave aqui é a triangulação," disse Sasangohar. "Cada um desses métodos por conta própria, digamos a análise facial, promete detectar o estado mental, embora com limitações. Mas, quando você combina essas informações com a análise de sentimento de voz, bem como indicadores fisiológicos de angústia, o diagnóstico e a inferência torna-se muito mais poderoso e claro."

Embora o protótipo esteja pronto e testado, os pesquisadores afirmam que ainda precisam melhorar os algoritmos, que consomem muita bateria no celular porque os programas de inteligência artificial são computacionalmente intensivos.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Improving Psychiatric Care Through Integrated Digital Technologies
Autores: J. Christopher Fowler, Alok Madan, Courtenay R. Bruce, B. Christopher Frueh, Bita Kash, Stephen L. Jones, Farzan Sasangohar
Publicação: Journal of Psychiatric Practice
Vol.: 27 (2): 92
DOI: 10.1097/PRA.0000000000000535
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