21/01/2022

Inteligência Artificial reduz dose de radiação para pacientes com câncer

Redação do Diário da Saúde
Inteligência Artificial reduz dose de radiação para pacientes com câncer
Cada imagem foi dividida em blocos não sobrepostos de 2048 × 2048 píxeis. Quadros contendo pelo menos 65% de tecido foram retidos e o restante descartado.
[Imagem: Germán Corredor et al. - 10.1093/jnci/djab215]

Dosagem adequada a cada paciente

Um programa de inteligência artificial (IA) permitiu identificar quais pacientes com determinados tipos de câncer de cabeça e pescoço poderiam se beneficiar de uma redução na intensidade de tratamentos como radioterapia e quimioterapia.

Os médicos tipicamente estabelecem uma dose "segura" que atende à maioria dos pacientes, mas isso resulta em sobretratamento de alguns, trazendo-lhes fortes efeitos colaterais que poderiam ser evitados, e o subtratamento de outros, facilitando a recorrência do câncer após o fim do tratamento.

O problema é que hoje é virtualmente impossível identificar de antemão quais serão as melhores dosagens para cada paciente.

Germán Corredor e seus colegas da Universidade Case Western (EUA) passaram essa tarefa ao computador, desenvolvendo um programa para analisar imagens digitalizadas de amostras de tecido retiradas de 439 pacientes de seis sistemas hospitalares com um tipo de câncer de cabeça e pescoço conhecido como carcinoma espinocelular orofaríngeo associado ao papilomavírus humano (HPV).

O programa identificou com sucesso um subconjunto de pacientes que poderiam ter-se beneficiado de uma dose significativamente reduzida de radioterapia.

"Já existem ensaios clínicos nacionais em andamento investigando a redução da intensidade da radioterapia e da quimioterapia em pacientes com câncer de orofaringe positivo para HPV," contou o Dr Shlomo Koyfman, membro da equipe. "No entanto, selecionar adequadamente os pacientes ideais para essa redução do tratamento tem sido um desafio. Este classificador de imagem pode nos ajudar a selecionar melhor os pacientes para esses novos paradigmas de tratamento."

Tratamento excessivo de pacientes

Embora muitos pacientes com câncer associado ao HPV ainda se beneficiem de um tratamento agressivo - juntamente com pacientes cujo câncer não está relacionado ao vírus - os pesquisadores disseram que seu estudo revelou que um grupo significativo estava recebendo terapia mais agressiva do que o necessário para obter um resultado favorável.

Os médicos não conseguem fazer essa distinção facilmente simplesmente olhando para os exames de tecido, o que faz com que todos os pacientes com esses tipos de câncer - independentemente de serem causados pelo HPV ou não - sejam tratados com um curso completo de quimioterapia e radioterapia.

"Temos tratado excessivamente muitos pacientes com quimioterapia e radiação de que eles não precisam porque não tínhamos uma maneira de descobrir quais pacientes se beneficiariam com a redução," disse o professor Anant Madabhushi. "Estamos dizendo que agora temos e que, no futuro, os médicos poderão modular a maneira como cuidam das pessoas e não apenas dar a alta dose padrão de radiação a todos que entrarem pela porta."

Como a análise foi retrospectiva - ou seja, os dados analisados por computador de pacientes nos quais o resultado final já era conhecido - os pesquisadores disseram que o próximo passo será testar a precisão do programa em ensaios clínicos.

Checagem com artigo científico:

Artigo: An Imaging Biomarker of Tumor-Infiltrating Lymphocytes to Risk-Stratify Patients With HPV-Associated Oropharyngeal Cancer
Autores: Germán Corredor, Paula Toro, Can Koyuncu, Cheng Lu, Christina Buzzy, Kaustav Bera, Pingfu Fu, Mitra Mehrad, Kim A. Ely, Mojgan Mokhtari, Kailin Yang, Deborah Chute, David J. Adelstein, Lester D. R. Thompson, Justin A. Bishop, Farhoud Faraji, Wade Thorstad, Patricia Castro, Vlad Sandulache, Shlomo A. Koyfman, James S. Lewis Jr, Anant Madabhushi
Publicação: JNCI Journal of the National Cancer Institute
DOI: 10.1093/jnci/djab215
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