10/08/2021

Leve seu cérebro para dar uma voltinha na natureza. Ele vai agradecer

Redação do Diário da Saúde
Leve seu cérebro para dar uma voltinha na natureza. Ele vai agradecer
Sim, a natureza faz bem à saúde, talvez por causa de algo que respiramos nas áreas verdes - a novidade é que você não precisa ir até uma floresta para se beneficiar.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Cérebro mais feliz na natureza

O hábito de ficar ao ar livre tem um bom efeito não apenas em nosso bem-estar geral, mas também em nossa estrutura cerebral.

E a novidade é que o cérebro humano se beneficia mesmo de estadias curtas ao ar livre - até agora, presumia-se que os ambientes nos afetavam apenas por longos períodos de tempo.

Simone Kühn e seus colegas examinaram regularmente seis habitantes urbanos de meia-idade saudáveis por seis meses. No total, foram feitas mais de 280 varreduras de seus cérebros usando imagens de ressonância magnética (MRI). O foco era o comportamento autorrelatado durante as últimas 24 horas e, em particular, nas horas que os participantes passaram ao ar livre antes da obtenção das neuroimagens.

Além disso, eles foram questionados sobre a ingestão de líquidos, o consumo de bebidas com cafeína, a quantidade de tempo fora de casa e a atividade física, a fim de verificar se esses fatores alteravam a associação entre o tempo fora de casa e o cérebro. Para poder incluir diferenças sazonais, a duração da insolação no período de estudo também foi levada em consideração.

Vá lá fora e turbine seu cérebro

As varreduras do cérebro mostraram que o tempo gasto ao ar livre aumenta a massa cinzenta no córtex dorsolateral-pré-frontal direito, que é a parte superior (dorsal) e lateral do lobo frontal no córtex cerebral. Essa parte do córtex está envolvida no planejamento e na regulação das ações, bem como no que é conhecido como controle cognitivo.

Além disso, sabe-se que muitos transtornos psiquiátricos estão associados à redução da massa cinzenta na área pré-frontal do cérebro.

Os resultados se mantiveram mesmo quando os outros fatores, que também poderiam explicar a relação entre o tempo passado ao ar livre e a estrutura do cérebro, foram mantidos constantes. Os pesquisadores realizaram cálculos estatísticos para examinar a influência da duração do tempo ensolarado, do número de horas de tempo livre, atividade física e ingestão de líquidos. Os cálculos revelaram que o tempo passado ao ar livre teve um efeito positivo no cérebro independentemente de todos esses outros fatores de influência.

"Nossos resultados mostram que nossa estrutura cerebral e nosso humor melhoram quando passamos tempo ao ar livre. Isso provavelmente também afeta a concentração, a memória de trabalho e a psique como um todo. Estamos investigando isso em um estudo em andamento. Os participantes também deverão resolver tarefas cognitivamente desafiadoras e usar vários sensores que medem a quantidade de luz à qual são expostos durante o dia, entre outros indicadores ambientais," disse Kühn, do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano.

Estes resultados são de particular importância para o campo da psiquiatria.

"Essas descobertas fornecem suporte neurocientífico para o tratamento de transtornos mentais. Os médicos poderiam prescrever uma caminhada ao ar livre como parte da terapia," disse a professora Anna Mascherek.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Spend time outdoors for your brain - an in-depth longitudinal MRI study
Autores: Simone Kühn, Anna Mascherek, Elisa Filevich, Nina Lisofsky, Maxi Becker, Oisin Butler, Martyna Lochstet, Johan Mårtensson, Elisabeth Wenger, Ulman Lindenberger, Jürgen Gallinat
Publicação: The World Journal of Biological Psychiatry
DOI: 10.1080/15622975.2021.1938670
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