23/11/2020

Mães podem transmitir alergias aos bebês no útero

Redação do Diário da Saúde
Mães podem transmitir alergias aos bebês no útero
Alguns cientistas acreditam ser possível criar uma cura para todas as alergias com um medicamento só.
[Imagem: Frederic Jabs et al. - 10.1038/s41467-017-02312-7]

Alergia hereditária

As mães podem transmitir alergias aos filhos ainda quando eles se desenvolvem no útero.

Essa é uma das razões pelas quais os bebês apresentam alergias tão cedo na vida, de acordo com um estudo pré-clínico realizado em Cingapura.

Os dados mostram que o principal anticorpo, a imunoglobulina E (IgE), responsável por desencadear reações alérgicas, pode entrar no feto a partir do corpo da mãe através da placenta.

Uma vez dentro do feto, ele se liga aos mastócitos fetais, que são células do sistema imunológico responsáveis por causar reações alérgicas, como coriza e asma.

"Esta é uma forma anteriormente não apreciada pela qual o sistema imunológico da mãe pode influenciar a prole durante o desenvolvimento e após o nascimento, e pode possivelmente explicar por que alguns filhos desenvolvem uma resposta imunológica na primeira vez que encontram um alérgeno, mesmo quando nunca foram expostos antes," disse a professora Ashley St. John, da Universidade Duke (EUA).

Calcula-se que entre 10 e 30 por cento da população seja afetada por alergias, e este número continua a aumentar. As taxas de sensibilização para alergias em crianças em idade escolar estão na faixa de 40 a 50 por cento, de acordo com o Livro Branco da Organização Mundial de Alergias.

Alergia que diminui com o tempo

Os pesquisadores expuseram animais de laboratório ao pólen da ambrosia, um alérgeno comum, antes da gravidez. Aqueles que desenvolveram sensibilidade ao pólen tiveram descendentes que também exibiram reações alérgicas à ambrosia. No entanto, a sensibilidade era específica ao alérgeno e a prole não mostrou qualquer reação aos ácaros ou outros alérgenos comuns.

A sensibilidade específica ao alérgeno diminuiu com o tempo. Os animais recém-nascidos tiveram reações alérgicas quando testados em quatro semanas, mas menos ou nenhuma reação após seis semanas.

"Os anticorpos têm uma meia-vida, o que significa que os anticorpos que se transferem da mãe para o feto se decompõem lentamente com o tempo. Portanto, eles só conferem respostas alérgicas por um período de tempo e depois diminuem lentamente em concentração e influência. Nós ainda não sabemos se eles levam a prole a desenvolver suas próprias alergias a esses alérgenos e isso é algo que estudaremos no futuro," disse St. John.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Fetal mast cells mediate postnatal allergic responses dependent on maternal IgE
Autores: Rasha Msallam, Jozef Balla, Abhay P. S. Rathore, Hassen Kared, Benoit Malleret, Wilfried A. A. Saron, Zhaoyuan Liu, Jing Wen Hang, Charles Antoine Dutertre, Anis Larbi, Jerry K. Y. Chan, Ashley L. St. John, Florent Ginhoux
Publicação: Science
Vol.: eaba0864
DOI: 10.1126/science.aba0864
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