12/03/2020

Mídias sociais devem pagar salário em troca dos dados do público, propõe economista

Redação do Diário da Saúde
Mídias sociais devem pagar salário em troca dos dados do público, propõe economista
Empresas estão ficando bilionárias com os dados das pessoas, sem pagar nada por isso.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Quarta revolução industrial

Os dados e a economia deles decorrentes são o motor daquilo que os economistas estão chamando de quarta revolução industrial.

No entanto, há um ator essencial nessa economia que atualmente não recebe absolutamente nada dos enormes lucros gerados pela sua atividade: As pessoas que fornecem esses dados.

A ideia de uma economia baseada em geradores de informações cobrando pelo fornecimento de seus dados às empresas foi proposta pelo cientista, autor e artista Jaron Lanier, em seu livro "A quem pertence o futuro".

Agora, o professor Nikolaos Laoutaris desenvolveu a ideia. E ele e sua equipe do Instituto de Redes IMDEA já estão trabalhando para criar algoritmos, sistemas e softwares para que a compensação financeira por dados se torne realidade.

Economia dos dados

O pesquisador defende que o pagamento monetário adequado seria a solução para alguns dos problemas mais graves que nós, como sociedade, enfrentaremos no futuro imediato.

Todas as pessoas recebendo compensação financeira pelos dados que produzem seria "uma alternativa ao recebimento de salário por trabalho, quando no futuro a maior parte do trabalho será feito por máquinas," defende Laoutaris.

Análises preliminares mostraram "que uma família de quatro pessoas poderia ganhar até 20.000 dólares por ano [cerca de R$95.000, perto de R$8.000 por mês] por seus dados".

Mídias sociais devem pagar salário em troca dos dados do público, propõe economista
Você sabe o que os algoritmos estão dizendo a seu respeito?
[Imagem: Marcello Casal jr/Agência Brasil]

O pesquisador salienta que o sistema traria enormes benefícios para a proteção da privacidade. Dado que a coleta de dados é atualmente gratuita, as empresas agarram todos os dados ao seu alcance indiscriminadamente e sem saber se são úteis ou não.

Se elas tiverem que pagar por essas informações, afirma Laoutaris, elas seriam mais seletivas, só compilando dados que usariam: "Pagar pelos dados exerce pressão econômica sobre as empresas para aplicar o princípio da minimização."

Além disso, a obrigação de remuneração em troca dos dados pessoais levaria ao desaparecimento de empresas "parasitas", que atualmente compilam listas de tudo e qualquer coisa, "de supostos alcoólatras a pessoas que são HIV-positivas", citou Laoutaris. Esses serviços tipicamente criam enormes riscos à privacidade.

Precisa-se de visionários

O pesquisador reconhece que a transição da economia atual para um sistema em que o pagamento por dados não seja apenas uma obrigação, mas o mecanismo econômico primordial, não é simples, mas afirma que é possível: "Estabelecer as bases para essa nova economia e liderar os desafios de escalabilidade para calcular pagamentos é apenas a ponta do iceberg no caminho para tornar uma economia de dados centrada no ser humano uma realidade."

No entanto, a opção é viável e o pesquisador até propõe um modelo para começar: 'É necessário uma pequena amostra de visionários, pessoas que estão cientes dos benefícios do novo foco (moderação de disputas entre privacidade e utilidade, encorajar os usuários a compartilhar mais dados etc.) e o use como um recurso para se destacar de seus concorrentes. Se tiverem sucesso, haverá mais empresas que adotam essa prática e, no final, ela se tornará um sistema comum."

Checagem com artigo científico:

Artigo: Why Online Services Should Pay You for Your Data? The Arguments for a Human-Centric Data Economy
Autores: Nikolaos Laoutaris
Publicação: IEEE Internet Computing
DOI: 10.1109/MIC.2019.2953764

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