14/10/2021

Missões de longo prazo no espaço afetam cérebro dos astronautas

Redação do Diário da Saúde
Missões de longo prazo no espaço afetam cérebro dos astronautas
Já havia indícios de que astronautas poderão ter problemas graves em viagens a Marte. E estudos com dados reais mostraram que vírus do HPV dormentes reativam-se nos astronautas.
[Imagem: NASA]

Astronautas em risco

Passar longos períodos no espaço não gera apenas atrofia muscular e reduções na densidade óssea nos astronautas, mas também parece ter efeitos duradouros no cérebro.

Médicos suecos e russos avaliaram a integridade estrutural do cérebro humano por meio de biomarcadores no sangue de astronautas depois que eles retornaram de uma missão de longa duração a bordo da Estação Espacial Internacional.

Os dados revelaram indicações de lesão cerebral e neurodegeneração.

Estudos de neuroimagem já haviam mostrado alterações nos cérebros dos astronautas, mas pouco se sabe se as alterações estruturais do cérebro observadas são inofensivas ou clinicamente relevantes.

Agora, os pesquisadores conseguiram demonstrar que há fortes indícios de lesão cerebral e envelhecimento acelerado após uma missão de longa duração.

Amiloides e tau

Os cientistas examinaram amostras de sangue de cinco cosmonautas que ficaram em média 169 dias a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). Todos eles doaram sangue pouco antes de suas missões e imediatamente após o retorno à Terra. O sangue também foi coletado uma e três semanas após o retorno ao solo.

"Isso nos deu uma janela detalhada e sem precedentes para avaliar a saúde estrutural do cérebro por meio de marcadores baseados no sangue após um voo espacial de longa duração," disse o professor Peter Eulenburg, da Universidade Ludwig-Maximilians de Munique (Alemanha).

As amostras de sangue mostraram um aumento substancial de várias proteínas específicas do cérebro, em particular durante a primeira semana após o retorno, em comparação com os valores de referência pré-missão. As proteínas detectadas apontam para uma lesão das fibras nervosas longas na substância branca do cérebro humano e no tecido de suporte, a glia.

Um aumento ainda maior foi observado em duas variantes da proteína beta-amiloide. Esta elevação da amiloide durou todo o período de observação de três semanas e se correlacionou com o tempo desde o início da missão. A proteína tau, um marcador para a matéria cinzenta, mostrou uma queda substancial três semanas após o retorno à Terra, em comparação com as análises de sangue pré-voo.

Deterioração do fluxo venoso

Os pesquisadores afirmam que o curso de tempo correlacionado para essas proteínas amplamente diferentes aponta para uma resposta cerebral abrangente, diferente de se um único tipo de tecido tivesse sido afetado.

"Tomados em conjunto, nossos resultados apontam para uma lesão cerebral leve, mas duradoura, e neurodegeneração potencialmente acelerada," disse Eulenburg. "Todos os tipos de tecidos relevantes do cérebro parecem ser afetados."

A causa do aumento observado nas proteínas específicas do cérebro pode estar na deterioração do fluxo venoso da cabeça na microgravidade. Este mecanismo pode levar a um aumento do compartimento do líquido cefalorraquidiano e da pressão sobre a substância branca e cinzenta ao longo do tempo.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Changes in Blood Biomarkers of Brain Injury and Degeneration Following Long-Duration Spaceflight
Autores: Peter zu Eulenburg, Judith-Irina Buchheim, Nicholas J. Ashton, Galina Vassilieva, Kaj Blennow, Henrik Zetterberg, Alexander Choukér
Publicação: JAMA Neurology
DOI: 10.1001/jamaneurol.2021.3589
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