04/03/2021

Mulheres são melhores em ler a mente do que os homens

Redação do Diário da Saúde
Mulheres são melhores em ler a mente do que os homens
Este estudo distancia-se bastante das técnicas conhecidas como "leitura da mente" que usam a leitura de ondas cerebrais para tentar interpretar pensamentos.
[Imagem: Chris Adam/Purdue University]

Leitura da mente versus empatia

Uma nova abordagem para "leitura da mente" promete melhorar o quão bem entendemos o que os outros estão pensando, afirma um time de pesquisadores de três universidades do Reino Unido (Bath, Cardiff e Londres).

E parece que as mulheres são muito melhores do que os homens em se colocar no lugar de outra pessoa.

No contexto usado pela equipe, a "leitura da mente" se refere ao que os psicólogos chamam de "mentalização", que é uma habilidade para captar pistas comportamentais sutis que podem indicar que alguém com quem estamos falando está pensando algo que não está dizendo - por exemplo, sendo sarcástico ou mesmo mentindo.

"Para entender esse processo psicológico, precisávamos separar a leitura da mente da empatia. Leitura da mente se refere a entender o que outras pessoas estão pensando, enquanto a empatia tem tudo a ver com entender o que os outros estão sentindo.

"A diferença pode parecer sutil, mas é extremamente importante e envolve redes cerebrais muito diferentes. Ao nos concentrarmos cuidadosamente na medição da leitura da mente, sem confundir com a empatia, estamos confiantes de que acabamos de medir a leitura da mente. E, ao fazer isso, descobrimos consistentemente que as mulheres relataram maiores habilidades de leitura da mente do que suas contrapartes masculinas," comentou o Dr. Punit Shah, coordenador da equipe.

Questionário para leitura da mente

Rachel Clutterbuck e seus colegas garantem que todos nós temos diferentes habilidades de leitura da mente, com alguns inerentemente melhores do que outros.

E o fato de que nem todos nós somos bons nisso pode causar desafios mais ou menos sérios, podendo gerar dificuldades sociais na construção ou na manutenção de relacionamentos.

Para identificar as pessoas que têm dificuldades em interpretar os outros e fornecer-lhes o suporte adequado, a equipe desenvolveu um novo "teste de leitura da mente", que se baseia em dados de mais de 4.000 pessoas autistas e não autistas no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Os resultados de seu questionário simples de quatro etapas foram pontuados, variando de 4 a 16 (com 4 indicando habilidades ruins de leitura da mente; 16 indicando habilidades excelentes). A pontuação média para o questionário aplicado à população em geral ficou entre 12 e 13.

Depois de confirmar estatisticamente que o teste estava medindo a mesma coisa em homens e mulheres, a equipe constatou que as mulheres relataram melhor leitura da mente do que os homens, ao mesmo tempo que confirmaram alguns dos desafios sociais enfrentados pela comunidade portadora de autismo.

"Todos nós, sem dúvida, já tivemos experiências em que sentimos que não nos conectávamos com outras pessoas com quem estávamos conversando, onde percebemos que elas não nos compreendiam ou onde coisas que dissemos foram interpretadas de maneira errada. Muito de como nos comunicamos depende da nossa compreensão do que os outros estão pensando, mas este é um processo surpreendentemente complexo que nem todos podem fazer," disse o professor Shah.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Development and validation of the Four-Item Mentalising Index
Autores: Rachel A. Clutterbuck, M. J. Callan, E. C. Taylor, L. A. Livingston, Punit Shah
Publicação: Psychological Assessment
DOI: 10.1037/pas0001004
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