24/02/2026

Neutrófilos: Células imunológicas agem como um coletivo, e não individualmente

Redação do Diário da Saúde
Neutrófilos: Células imunológicas agem como um coletivo, e não individualmente
Neutrófilos acumulam-se nos alvéolos de um pulmão infectado com gripe. Imagem em escala de 50 nanômetros (um nanômetro é a milionésima parte de um milímetro).
[Imagem: Iván Ballesteros/CNIC]

O que são neutrófilos

Os neutrófilos são as células mais abundantes do sistema imunológico, mas ainda sabemos pouco sobre eles.

Como estão envolvidos em inúmeras descobertas recentes, das razões pelas quais infartos são mais perigosos durante o dia ao modo como herdamos nossa defesa imunológica dos nossos pais e até mesmo a efeitos de coçar a pele, cientistas acharam que era hora de resumir todas essas descobertas para estabelecer uma base comum da qual os esforços possam prosseguir.

Para isso, Iván Ballesteros (Universidade Carlos III de Madrid) e Andrés Hidalgo (Universidade de Yale) fizeram uma revisão exaustiva da literatura científica sobre o assunto. E a conclusão central é que já possuímos conhecimento cientificamente embasado para adotar um novo padrão na compreensão dos neutrófilos.

A revisão começa por uma nova definição dos neutrófilos, descritos como um coletivo dinâmico e adaptável, capaz de uma diversificação funcional notável e de apresentar formas de memória imunológica, desempenhando funções muito mais amplas do que as que os cientistas lhes atribuíam até agora.

Ao integrar descobertas nas áreas do câncer, inflamação e imunologia de sistemas, os pesquisadores redefiniram a compreensão dos neutrófilos na saúde e na doença, realçando novas vias conceituais para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas inovadoras direcionadas para quando o sistema imunológico não funciona como esperamos.

"Os neutrófilos são as células mais abundantes do sistema imunológico e as primeiras a responder no organismo quando surge uma infecção ou lesão. Mas estas células não só ajudam a combater os agentes patogênicos, como também reparam os tecidos e ajudam na formação de vasos sanguíneos," explicou Ballesteros. "Portanto, se quisermos entender como funcionam os neutrófilos, temos de estudá-los como um todo, como se fossem um formigueiro: Não podemos estudar o que faz uma formiga operária ou uma formiga soldado separadamente; temos de compreender como as células se coordenam e qual o papel que cada uma delas desempenha".

Neutrófilos: Células imunológicas agem como um coletivo, e não individualmente
Os neutrófilos são a primeira linha defesa do nosso corpo, e parecem agir em conjunto, como um organismo em si mesmo.
[Imagem: Daniela Cerezo-Wallis et al. - 10.1038/s41586-025-09807-0]

Coletivo de neutrófilos

Tradicionalmente, os neutrófilos têm sido descritos como células especializadas na eliminação rápida de agentes patogênicos e com uma vida muito limitada. No entanto, os pesquisadores destacam que as descobertas mais recentes mostram que essas células possuem uma notável capacidade de adaptação a diferentes tecidos e contextos, participando em processos como a inflamação estéril, a reparação tecidular ou o câncer, e apresentam comportamentos coletivos coordenados, semelhantes aos observados em outros sistemas biológicos.

Este novo quadro conceitual pode ajudar a reinterpretar o papel dos neutrófilos em inúmeras doenças, desde o câncer até patologias inflamatórias ou autoimunes, além de abrir novas vias terapêuticas destinadas a modular a sua produção e programação funcional. "O estudo realça o fato de os neutrófilos não serem meros executores de respostas imunitárias imediatas, mas um sistema altamente organizado, plástico e com memória, cujo potencial terapêutico ainda está longe de estar explorado," destacou Hidalgo.

Os dois pesquisadores defendem que o conjunto de neutrófilos está organizado em dois compartimentos funcionais interligados: Um "granulopoiético", localizado principalmente na medula óssea e responsável pela produção de neutrófilos, e outro "maduro", formado por células já diferenciadas que circulam pelo sangue e pelos tecidos. Essa organização permite ao sistema responder rapidamente a agressões locais, mantendo ao mesmo tempo uma memória de exposições anteriores.

De acordo com o modelo proposto pelos pesquisadores, esta estrutura explica como os neutrófilos podem apresentar uma grande diversidade funcional, adaptar-se a sinais locais de diferentes órgãos e participar em processos tão variados como a angiogênese, a regulação da resposta imunológica ou a manutenção da homeostase tecidular. Além disso, muitas destas propriedades só emergem quando se considera o conjunto de neutrófilos como uma unidade biológica, e não como células individuais.

Checagem com artigo científico:

Artigo: The neutrophil collective
Autores: Iván Ballesteros, Andrés Hidalgo
Publicação: Cell
DOI: 10.1016/j.cell.2025.11.001
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