28/10/2019

Pâncreas artificial supera tecnologia atual no controle dos níveis de glicose

Redação do Diário da Saúde
Pâncreas artificial supera tecnologia atual no controle dos níveis de glicose
O pâncreas artificial não é exatamente um substituto do pâncreas natural, mas um sistema automatizado de aplicação de insulina.
[Imagem: Tandem Diabetes Care]

Pâncreas artificial

Os órgãos artificiais não apenas vieram para ficar, como começam a superar as tecnologias usadas até agora.

Um estudo clínico randomizado multicêntrico, feito para avaliar um novo sistema de pâncreas artificial - que monitora e regula automaticamente os níveis de glicose no sangue - concluiu que o novo sistema é mais eficaz do que os tratamentos existentes no controle dos níveis de glicose no sangue em pessoas com diabetes tipo 1.

O ensaio mostrou que o sistema melhorou o controle da glicose no sangue dos participantes não apenas ao longo do dia, mas também durante a noite. Este último caso é um desafio comum, mas sério, para crianças e adultos com diabetes tipo 1, uma vez que a glicose no sangue pode cair para níveis perigosamente baixos quando a pessoa está dormindo.

O pâncreas artificial, que usa uma técnica conhecida como "controle de circuito fechado", é um sistema de gerenciamento de diabetes tudo-em-um, que rastreia os níveis de glicose no sangue usando um monitor contínuo de glicose e fornece automaticamente o hormônio insulina quando necessário, usando uma bomba de insulina. O sistema substitui os testes por picada no dedo ou por monitores de glicose, e a eventual injeção, pela dispensação de insulina automatizada e sob demanda, dependendo dos resultados do monitoramento.

Controle da glicose durante a noite

Os usuários do sistema de pâncreas artificial tiveram um aumento médio de 2,6 horas por dia no tempo em que permaneciam com os níveis de glicose no sangue no intervalo alvo de 70 a 180 mg/dL. Os usuários do pâncreas artificial também apresentaram melhorias no tempo com glicose no sangue alta e baixa, hemoglobina A1c e outras medidas relacionadas ao controle do diabetes, em comparação com o grupo usando as técnicas tradicionais de monitoramento e injeção de insulina.

"O pâncreas artificial oferece a capacidade de não apenas melhorar o controle glicêmico, mas também aliviar o fardo diário do gerenciamento de açúcar no sangue que as pessoas com diabetes tipo 1 precisam para navegar continuamente," disse a pesquisadora Sue Brown, da Universidade da Virgínia (EUA). "Este estudo, em particular, demonstra um controle rígido do açúcar no sangue durante a noite, para que uma pessoa possa acordar com um nível de açúcar no sangue próximo ao normal na maioria das manhãs."

Este estudo de seis meses foi a terceira fase da série de ensaios clínicos. Ele foi realizado com participantes em suas vidas cotidianas habituais, para que os pesquisadores pudessem entender melhor como o sistema funciona nas rotinas diárias típicas.

"Este sistema de pâncreas artificial possui várias características únicas que melhoram o controle da glicose além do que é possível com os métodos tradicionais," disse o Dr. Boris Kovatchev, coordenador do ensaio. "Em particular, há um módulo de segurança especial dedicado à prevenção da hipoglicemia, e há um controle intensificado gradualmente durante a noite para atingir níveis quase normais de açúcar no sangue todas as manhãs."

Checagem com artigo científico:

Artigo: Six-Month Randomized, Multicenter Trial of Closed-Loop Control in Type 1 Diabetes
Autores: Sue A. Brown, Boris P. Kovatchev, Dan Raghinaru, John W. Lum, Bruce A. Buckingham, Yogish C. Kudva, Lori M. Laffel, Carol J. Levy, Jordan E. Pinsker, R. Paul Wadwa, Eyal Dassau, Francis J. Doyle III, Stacey M. Anderson, Mei Mei Church, Vikash Dadlani, Laya Ekhlaspour, Gregory P. Forlenza, Elvira Isganaitis, David W. Lam, Craig Kollman, Roy W. Beck
Publicação: New England Journal of Medicine
DOI: 10.1056/NEJMoa1907863

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