03/04/2020

Substância presente em cosméticos não deve ser usada durante a gravidez, alertam cientistas

Redação do Diário da Saúde
Parabenos - Substância presente em cosméticos aumenta ganho de peso dos filhos
"Tendo em mente a saúde futura de seus filhos, as gestantes realmente devem usar produtos sem parabenos durante os períodos sensíveis da gravidez e amamentação."
[Imagem: Beate Leppert et al. - 10.1038/s41467-019-14202-1]

Filhos com obesidade

Se as mulheres grávidas usarem cosméticos contendo parabenos que permanecem na pele por períodos prolongados, isso pode ter consequências para o subsequente desenvolvimento da criança.

Isto foi demonstrado em um estudo publicado por pesquisadores de quatro instituições alemãs, liderados por uma equipe do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental (UFZ).

Beate Leppert e seus colegas identificaram ainda modificações epigenéticas que são desencadeadas pelos parabenos e que interferem na regulação natural da saciedade no cérebro, ou seja, a sensação de sentir-se "cheio" depois de se alimentar.

"Nós descobrimos uma correlação positiva entre as concentrações de butilparabeno na urina das mães e um maior índice de massa corporal dos seus filhos - principalmente das filhas - até o oitavo aniversário," contou a professora Irina Lehmann.

O que são parabenos

Metilparabeno, propilparabeno, butilparabeno - estas substâncias e seus similares são comumente usados como conservantes em cosméticos, como cremes e loções para o corpo, e em produtos antissépticos.

Mas como o uso de cremes contendo parabenos por gestantes se relaciona com o futuro excesso de peso da criança?

Depois de verificar a associação entre o uso dos parabenos e crianças com maior peso, a equipe decidiu rastrear os mecanismos subjacentes. Eles começaram com culturas de células, para examinar se as próprias células de gordura reagiriam a altas concentrações de butilparabeno, mas os resultados foram todos negativos.

Assim, os pesquisadores suspeitaram que os parabenos pudessem exercer influência sobre como a fome é regulada no cérebro e realizaram um exame mais minucioso dos principais genes no hipotálamo dos filhos, mas desta vez usando animais de laboratório.

O resultado indicou que um gene chamado POMC (proopiomelanocortina), que é decisivo no controle da sensação de fome, ficou desregulado no cérebro dos filhotes cujas mães tiveram contato com os parabenos. Pesquisas adicionais em nível genético revelaram que uma modificação epigenética foi responsável por isso, impedindo a leitura do gene POMC correspondente.

"A influência dos parabenos durante a gestação obviamente gera modificações epigenéticas na prole, que interrompem permanentemente a regulação da sensação natural de saciedade. Isso significa que eles têm uma maior ingestão alimentar," explicou Polte.

Evitar produtos com parabenos na gravidez

A conclusão da equipe é que os parabenos parecem constituir um fator de risco durante a gravidez para a ocorrência de excesso de peso nos filhos. No entanto, outros fatores também desempenham um papel importante no ganho de peso, como dieta hipercalórica e falta de exercício.

Até agora, os pesquisadores não conseguiram chegar a nenhuma conclusão sobre a estabilidade das modificações epigenéticas ou se elas podem ser passadas para a próxima geração (filhos dos filhos).

No entanto, eles já acreditam ter elementos conclusivos para fazer uma recomendação inequívoca com base nos resultados até agora: "Tendo em mente a saúde futura de seus filhos, as gestantes realmente devem usar produtos sem parabenos durante os períodos sensíveis da gravidez e amamentação," disse Lehmann.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Maternal paraben exposure triggers childhood overweight development
Autores: Beate Leppert, Sandra Strunz, Bettina Seiwert, Linda Schlittenbauer, Rita Schlichting, Christiane Pfeiffer, Stefan Röder, Mario Bauer, Michael Borte, Gabriele I. Stangl, Torsten Schöneberg, Angela Schulz, Isabell Karkossa, Ulrike E. Rolle-Kampczyk, Loreen Thürmann, Martin von Bergen, Beate I. Escher, Kristin M. Junge, Thorsten Reemtsma, Irina Lehmann, Tobias Polte
Publicação: Nature Communications
Vol.: 11, Article number: 561
DOI: 10.1038/s41467-019-14202-1

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