Por que a diversidade é vital para uma democracia saudável

Por que a diversidade é vital para uma democracia saudável
Não é a diversidade que nos divide; a divisão nos divide e impede e convivência em harmonia.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Compartilhamento do poder

Em tempos de política conturbada e fortemente polarizada, parece que todos os esforços para evitar o acirramento dos ânimos valem a pena.

Ocorre que a democracia exige uma forte competição de ideias, e a diversidade é a melhor maneira de proteger a estrutura democrática, diz o professor de filosofia Ryan Muldoon, da Universidade Buffalo (EUA).

A diversidade inspira novos pensamentos e novas ideias, ao mesmo tempo em que desestimula a estagnação e aumenta as possibilidades de encontrar formas melhores de abordar as várias questões com que a sociedade sempre se depara.

Curiosamente, alguns estudos científicos têm sugerido que a diversidade étnica, religiosa e linguística estaria contribuindo para o clima político cada vez mais cáustico de hoje, onde a falta de civilidade tem trazido confrontos que não se viam há décadas.

Essa visão aborda a diversidade como um "problema" para as democracias gerirem, mas é a diversidade que salva as democracias, diz Muldoon.

"A diversidade não é o problema. O problema é a segregação. Não podemos apenas olhar para a diversidade. Temos que considerar o arranjo espacial da diversidade. A questão não deveria ser 'Esta é uma cidade diversificada?' mas sim 'Esta é uma cidade diversificada integrada?' Quanto mais segregados nos tornamos, menor será nossa confiança social," afirmou.

Para Muldoon, as divergências são um instrumento de progresso social.

"[A democracia] permite que as pessoas que discordam compartilhem o poder," diz Muldoon. "Isso dá a todos um mecanismo para participar, para que as divergências não se transformem em guerras".

Precisamos conversar

Alguns filósofos históricos, como John Locke e Thomas Hobbes, acreditavam que a diversidade era algo a superar. Nesta visão, a diversidade é uma fonte primária de conflitos, e nossas instituições seriam destinadas a reduzir ou mitigar os efeitos negativos da diversidade.

Outros, como John Stuart Mill e John Dewey, viam a sociedade como mais dinâmica. Eles focaram no potencial de descobertas e melhores formas de envolvimento das pessoas umas com as outras.

Essas tradições filosóficas divergentes também estão presentes na literatura das ciências sociais atuais. Há um corpo de pesquisa sugerindo que a diversidade está causando uma perda de fé, criando populações menos interessadas em trabalhar juntas em direção a objetivos comuns, mas pesquisas recentes, que usam conjuntos de dados melhores, contam uma história diferente.

"Eu penso nos desacordos como o modo como as democracias funcionam. A divergência nos obriga a questionar nossas ideias e a considerar se a nossa maneira atual é a melhor maneira de pensar sobre um problema," diz o filósofo.

A característica mais interessante desta análise é que ela só funciona se houver ideias de cada lado. A segregação bloqueia a conversa, e Muldoon ressalta que é definitivamente uma conversa que queremos ter.


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