08/03/2022

Preferências musicais unem personalidades em todo o mundo

Redação do Diário da Saúde
Preferências musicais unem personalidades em todo o mundo
Já se sabia que ouvir música faz o cérebro inteiro se iluminar - na verdade, o cérebro funciona meio que tocando música.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Música e personalidade

Uma pesquisa envolvendo mais de 350.000 participantes, de mais de 50 países em 6 continentes, concluiu que as ligações entre as preferências musicais e a personalidade são universais.

Os resultados sugerem que a música pode desempenhar um papel maior na superação da divisão social, além de oferecer benefícios terapêuticos atualmente inexplorados.

Em todo o mundo, sem variação significativa, os pesquisadores encontraram as mesmas correlações positivas:

  1. Entre extroversão e música contemporânea;
  2. entre conscienciosidade e música despretensiosa;
  3. entre amabilidade e música suave e despretensiosa;
  4. e entre abertura e música suave, contemporânea, intensa e sofisticada.

Eles também identificaram uma clara correlação negativa entre conscienciosidade e música intensa.

"Ficamos surpresos com o quanto esses padrões entre música e personalidade se replicam em todo o mundo. As pessoas podem ser divididas por geografia, idioma e cultura, mas se um introvertido em uma parte do mundo gosta da mesma música que os introvertidos em outro lugar, isso sugere que a música pode ser uma ponte muito poderosa. A música ajuda as pessoas a se entenderem e encontrarem um terreno comum," disse o Dr. David Greenberg, da Universidade de Cambridge (Reino Unido).

Estilos diferentes para mesmas emoções

Os pesquisadores já previam que a extroversão, que é definida pela busca de excitação, sociabilidade e emoções positivas, seria positivamente associada à música contemporânea, que tem características otimistas, positivas e dançantes. Os dados confirmaram essa previsão.

Da mesma forma, não surpreende o fato de que a conscienciosidade, associada à ordem e à obediência, se choca com estilos musicais intensos, caracterizados pela agressividade e temas rebeldes.

Mas um resultado está-se mostrando mais intrigante.

"Nós pensamos que o neuroticismo provavelmente teria seguido um de dois caminhos, seja preferindo música triste, para expressar sua solidão, ou preferindo música animada, para mudar seu humor. Na verdade, em média, as pessoas parecem preferir estilos musicais mais intensos, o que talvez reflita angústia e frustração interior.

"Isso foi uma surpresa, mas as pessoas usam a música de maneiras diferentes - algumas podem usá-la para catarse, outras para mudar seu humor. Portanto, pode haver subgrupos com pontuação alta em neuroticismo que ouvem música suave por um motivo e outro subgrupo que é mais frustrado e talvez prefira música intensa para desabafar. Vamos analisar isso com mais detalhes," disse Greenberg.

Dança dos trópicos

Os pesquisadores também descobriram que a correlação entre extroversão e música contemporânea é particularmente forte em torno do equador, sobretudo na América Central e do Sul.

Isso pode sugerir que os fatores climáticos influenciam as preferências musicais e que as pessoas em climas mais quentes tendem a ter traços de personalidade que os tornam mais propensos a preferir música rítmica e dançante.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Universals and variations in musical preferences
Autores: D. M. Greenberg, S. J. Wride, D. A. Snowden, D. Spathis, J. Potter, P. J. Rentfrow
Publicação: Journal of Personality and Social Psychology
DOI: 10.1037/pspp0000397
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