16/04/2019

Problemas de sono e Alzheimer estão interligados - Mas o que vem primeiro?

Redação do Diário da Saúde

Amiloides beta e tau

As pesquisas sobre a doença de Alzheimer têm-se concentrado amplamente na presença no cérebro de duas proteínas - beta-amiloide e tau.

Acredita-se que as amiloides beta estejam envolvidas com o aprendizado e a capacidade do cérebro de mudar e se adaptar, enquanto a tau ajuda a regular a sinalização normal entre as células neuronais. Pessoas com doença de Alzheimer comumente apresentam as duas marcas: um acúmulo de beta amiloide e emaranhados de tau no cérebro.

Por outro lado, estudos científicos em animais saudáveis e em humanos constataram níveis mais altos de beta amiloide após uma única noite de privação de sono, o que é consistente com os padrões normais de flutuação da proteína que ocorrem antes de dormir e ao acordar. Pesquisas também mostraram que a interrupção do sono de ondas lentas - uma fase profunda do sono - faz com que os níveis de beta-amiloide aumentem em até 30%.

Esses resultados sugerem que o sono ajuda o corpo a eliminar o excesso de beta-amiloide, antes que o cérebro a acumule em demasia.

"Essas evidências demonstram a importância do sono na eliminação dos dejetos metabólicos e da perturbação do sono como um mediador significativo no desenvolvimento da doença de Alzheimer," escreveram Shen Ning e Mehdi Jorfi, da Universidade Harvard (EUA) em um artigo publicado no Journal of Neurophysiology.

Problemas de sono e Alzheimer

Quanto à tau, a outra proteína encontrada no cérebro de pessoas com doença de Alzheimer, sua presença no fluido que envolve o cérebro e a medula espinhal (líquido cefalorraquidiano) é um marcador de lesão das células nervosas, explicam os autores.

A privação de sono por apenas uma noite aumentou os níveis de tau em até 50% no líquido cefalorraquidiano.

No geral, o estudo sugere que o aumento da produção de beta-amiloide e de tau, e a redução na eliminação destas proteínas, é o principal fator contribuinte para a doença de Alzheimer.

"Enquanto a qualidade do sono parece ser capaz de ajudar o corpo a limpar o excesso de proteínas, a questão permanece se a perturbação do sono agrava os sintomas [da doença de Alzheimer] e aumenta a progressão da doença, ou se a ruptura do sono realmente inicia a cascata de desenvolvimento da doença de Alzheimer," escreveram os pesquisadores.

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