24/07/2020

Quais medidas estão realmente funcionando para frear a pandemia?

Redação do Diário da Saúde
Quais medidas estão realmente funcionando para frear a pandemia?
Várias medidas de força tomadas por alguns governos - parte inferior da tabela - não surtiram qualquer efeito.
[Imagem: N. Haug et al. - 10.1101/2020.07.06.20147199v1]

Eficácia das medidas contra pandemia

Quais medidas governamentais, adotadas em várias partes do mundo, realmente funcionaram - e quão bem elas funcionaram - para conter a pandemia de covid-19?

Uma equipe internacional de cientistas desembaraçou os pacotes de medidas adotadas pelos países em todo o mundo entre janeiro e maio de 2020 e apresentou um ranking detalhado da eficácia das diversas medidas adotadas.

Eles quantificaram a contribuição de cada medida para reduzir o infame "número de reprodução R(t)", o número de pessoas que uma pessoa doente infecta em média. Para conter a propagação adicional de uma doença, R(t) deve estar abaixo de 1.

"O distanciamento social claramente funciona melhor," disse o professor Peter Klimek, da Universidade Médica de Viena (Áustria). "Nós, pais, podemos gostar ou não, mas a medida mais eficaz de acordo com o nosso estudo é o fechamento de instituições de ensino".

Também foram altamente eficazes:

  • cancelamentos de pequenas aglomerações - um tipo de medida que inclui fechamento de lojas e restaurantes e o trabalho em casa;
  • restrições de viagens com fechamento de fronteiras;
  • comunicação ativa de riscos com as partes interessadas (por exemplo, promovendo protocolos de segurança nas empresas ou em eventos);
  • melhorias na capacidade dos sistemas de saúde de lidar com a pandemia (como oferecer educação especial sobre covid-19 e equipamentos de proteção para os profissionais de saúde ou separar os pacientes de covid-19 dos demais pacientes nos hospitais).

"Ainda assim, nenhuma medida isolada é boa o suficiente para colocar o R(t) abaixo de um," disse o Dr. Nils Haug, membro da equipe. "A intervenção mais efetiva, o fechamento de jardins de infância, escolas e universidades, afeta o número de reprodução em -0,34 no máximo. Atualmente, acredita-se que, sem nenhuma intervenção, o R(t) é de cerca de 3. Apenas fechar as escolas e não fazer mais nada, traduz-se em cada pessoa infectada infectando 2,7 pessoas em média, em vez de 3."

Momento certo e medidas voluntárias

A conclusão da equipe é que, para achatar a curva, os países devem usar uma combinação inteligente de medidas - e agir no sistema "quanto antes, melhor".

"O momento apropriado [para cada medida] é realmente metade da batalha. As máscaras faciais, por exemplo, mostraram-se mais eficientes nos países que promoveram o uso voluntário desde o início, em comparação com os países que implementaram o uso obrigatório em estágios posteriores.

"De fato, observamos um padrão: intervenções precoces e voluntárias superam medidas similares que são tomadas tardiamente e como diretrizes obrigatórias. Além das máscaras, isso também se aplica ao isolamento de indivíduos com sintomas ou às medidas de segurança tomadas nos locais de trabalho," disse Haug.

Isso significa que uma comunicação de risco ativa com o público, bem como a educação e a informação de todas as partes interessadas relevantes são essenciais para conter a epidemia.

Os bloqueios - fechamentos obrigatórios totais - também foram mais eficazes quando impostos desde cedo - mas também tiveram tremendos impactos na vida social e cultural, no bem-estar e na economia como um todo.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Ranking the effectiveness of worldwide covid-19 government interventions
Autores: N. Haug, L. Geyrhofer, A. Londei, E. Dervic, A. Desvars-Larrive, V. Loreto, B. Pinior, S. Thurner, P. Klimek
Publicação: medRxiv
DOI: 10.1101/2020.07.06.20147199v1

Artigo: A structured open dataset of government interventions in response to covid-19,medRxiv (2020)
Autores: Amelie Desvars-Larrive, Elma Dervic, Nils Haug, Thomas Niederkrotenthaler, Jiaying Chen, Anna Di Natale, Jana Lasser, Diana S Gliga, Alexandra Roux, Abhijit Chakraborty, Alexandr Ten, Alija Dervic, Andrea Pacheco, David Cserjan, Diana Lederhilger, Dorontine Berishaj, Erwin Flores Tames, Huda Takriti, Jan Korbel, Jenny Reddish, Johannes Stangl, Lamija Hadziavdic, Laura Stoeger, Leana Gooriah, Lukas Geyrhofer, Marcia R Ferreira, Rainer Vierlinger, Samantha Holder, Samuel Alvarez, Simon Haberfellner, Verena Ahne, Viktoria Reisch, Vito DP Servedio, Xiao Chen, Xochilt Maria Pocasangre-Orellana, David Garcia, Stefan Thurner
DOI: 10.1101/2020.05.04.20090498v1
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