30/01/2019

Radicais de direita e de esquerda são ruins em saber quando estão errados

Redação do Diário da Saúde
Radicais de direita e de esquerda são ruins em saber quando estão errados
Não adianta teimar: Sua reação ao olhar dos outros revela suas preferências políticas.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Metacognição

As pessoas que assumem visões políticas radicais - em qualquer extremidade do espectro político - não são tão boas quanto os moderados em saber quando estão erradas, mesmo sobre algo não relacionado à política.

"Estávamos tentando elucidar se as pessoas que possuem crenças políticas radicais são excessivamente confiantes em suas crenças declaradas, ou se tudo se resume a diferenças na metacognição, que é a capacidade que temos de reconhecer quando podemos estar errados," explicou o Dr. Steve Fleming, da Universidade College de Londres.

O estudo experimental utilizou uma tarefa perceptiva simples, que não revelou diferença entre os grupos - radicais de direita, radicais de esquerda e moderados - no desempenho da tarefa. Mas emergiu claramente uma tendência entre os voluntários com crenças mais radicais de superestimar sua certeza quando lhes foi pedido para avaliar a probabilidade de suas próprias respostas estarem certas ou erradas.

"Nós descobrimos que as pessoas que detêm crenças políticas radicais têm metacognição pior do que aquelas com opiniões mais moderadas. Elas muitas vezes têm uma certeza equivocada quando estão realmente erradas sobre algo, e são resistentes em mudar suas crenças em face de provas que demonstrem que elas estão erradas," disse o Dr. Steve.

O experimento inicial foi realizado com 381 pessoas. Para confirmar as conclusões, tudo foi replicado com outro grupo de 417 pessoas.

Radicais são teimosos

Os voluntários inicialmente responderam uma pesquisa avaliando suas crenças e atitudes políticas em relação a visões de mundo alternativas. As pessoas, tanto da extrema esquerda quanto da extrema direita do espectro político, tenderam a ter visões mais radicais envolvendo autoritarismo e intolerância dogmática ante visões opostas às suas.

Eles então completaram uma tarefa perceptiva que exigia que olhassem para dois conjuntos de pontos e julgassem qual deles tinha mais pontos. A seguir, precisavam avaliar o quanto estavam confiantes em sua estimativa; para isso, eles receberam um incentivo - um ganho em dinheiro - para julgar sua confiança com precisão.

O experimento foi projetado intencionalmente para testar as pessoas em uma tarefa completamente não relacionada à política, para medir apenas seus processos cognitivos.

As pessoas com crenças mais radicais tiveram desempenho similar ao dos moderados na tarefa inicial. Contudo, quando deviam avaliar seu palpite, os extremistas tenderam a dar classificações de confiança mais altas do que os moderados especificamente quando fizeram escolhas incorretas. A confiança dos radicais nas respostas corretas foi semelhante à dos moderados.

"As diferenças na metacognição entre radicais e moderados foram robustas e replicadas em dois conjuntos de dados, mas essa capacidade de autoconhecimento explicou apenas uma quantidade limitada da variância no radicalismo. Suspeitamos que isso se deva ao fato de a tarefa ser totalmente não relacionada à política - as pessoas poderiam ser ainda mais relutantes em admitir estarem erradas se a política tivesse entrado em jogo," disse o pesquisador Max Rollwage, primeiro autor do artigo, publicado na revista Current Biology.


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