02/08/2018

Relato de sonhos ajuda a diagnosticar esquizofrenia

Com informações da Agência Fapesp
Relato de sonhos ajuda a diagnosticar esquizofrenia
O efeito só aparece quando os pacientes contam seus sonhos, mas não quando eles relatam memórias de eventos reais.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Diagnóstico de esquizofrenia

Pacientes esquizofrênicos podem apresentar psicose, a perda de contato com a realidade que provoca delírios, alucinações e fala incoerente, entre outros sintomas.

O diagnóstico desses pacientes, contudo, pode levar seis meses e pode ser revisto diversas vezes ao longo de suas vidas, por diferentes especialistas, uma vez que não há biomarcadores para atestar esse distúrbio mental.

"O que se mede hoje para diagnosticar esquizofrenia são as respostas dos pacientes em um questionário. Apesar de importante, esse método é altamente subjetivo. Por isso, os pacientes com esquizofrenia são tratados de diversas maneiras, por múltiplos métodos e, geralmente, com combinações de remédios," explicou Sidarta Ribeiro, neurocientista da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Agora, a equipe brasileira apresentou resultados de um trabalho de 10 anos que está permitindo diagnosticar a esquizofrenia por meio da análise do discurso dos pacientes - uma análise matemática sobre o modo como eles contam seus sonhos.

"A ideia desses estudos é possibilitar fazer o diagnóstico de pacientes com esquizofrenia mais precocemente. Uma pessoa, quando tem o primeiro surto psicótico, tem alguns prejuízos cognitivos. Em um segundo surto, há mais outros danos e assim sucessivamente. O tratamento não adequado desses pacientes pode fazer com que continuem com seus problemas atuais e desenvolvam outros," contou o pesquisador.

Grafos dos sonhos

Para fazer a análise do discurso, os relatos dos sonhos dos pacientes são transcritos e as frases são transformadas por um software em grafos, uma forma matemática de estudar diferentes objetos de um determinado grupo e suas relações e conexões.

A análise dos grafos dos relatos dos sonhos de três grupos de pacientes, com diferentes condições médicas e saudáveis, revelou diferenças muito claras entre eles.

O tamanho, em termos de quantidade de arestas ou conexões, e a conectividade (relação) entre os nós dos grafos dos pacientes diagnosticados com esquizofrenia, bipolaridade ou sem transtornos mentais são significativamente diferentes. O efeito não foi verificado quando os pacientes contavam episódios do dia anterior ou do passado distante.

"O relato dos sonhos dos esquizofrênicos é extremamente lacônico, enquanto o do bipolar é mais desconexo e do grupo controle é cronológico e mais coeso. Isso pode ser uma forma de mapear a mente desses pacientes com palavras," disse Sidarta.

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