24/04/2019

Tecnologia brasileira para tratar câncer de pele será adotada pelo SUS

Com informações da Agência Fapesp
Tecnologia brasileira para tratar câncer de pele poderá ser adotada pelo SUS
Tecnologia inovadora para tratar câncer de pele poderá ser adotada pelo SUS.
[Imagem: Brás Muniz / IFSC-USP]

Tratamento do câncer com luz

Os pacientes com câncer de pele não melanoma logo poderão contar com uma nova tecnologia para o tratamento não invasivo desse tipo de tumor cutâneo - o mais frequente no Brasil e no mundo.

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Física da USP de São Carlos desenvolveu um aparelho para o diagnóstico e o tratamento óptico - usando luz - do câncer de pele não melanoma com resultados promissores, principalmente na eliminação de tumores iniciais.

Os resultados dos ensaios clínicos mostraram que o tratamento foi capaz de eliminar 95% dos tumores, sem efeitos colaterais, causando apenas leve vermelhidão no local e sem a formação de cicatriz.

"O dispositivo foi desenvolvido no Brasil, com tecnologia totalmente nacional", destaca a professora Cristina Kurachi, uma das autoras da técnica.

Terapia fotodinâmica

O equipamento, fabricado pela empresa emergente MM Optics, fundada pelos pesquisadores, é composto por um aparelho capaz de reconhecer e verificar a extensão de lesões tumorais por fluorescência óptica em minutos.

Após a identificação da lesão, é aplicada no local uma pomada à base de metilaminolevulinato (MAL) - um derivado do ácido 5-aminolevulínico (ALA) -, desenvolvida por outra empresa emergente, a PDT-Pharma, também oriundo do meio acadêmico. Após duas horas de contato com a pele, o composto é absorvido e dá origem, no interior das mitocôndrias das células tumorais, à protoporfirina - pigmento fotossensibilizante "primo" da clorofila.

Após remover a pomada da lesão, a região é irradiada por 20 minutos com um dispositivo contendo uma fonte de luz LED vermelha. A luz ativa a protoporfirina e desencadeia uma série de reações nas células tumorais, gerando espécies reativas de oxigênio capazes de eliminar as lesões. Já os tecidos sadios são preservados.

Após o procedimento, são geradas imagens de fluorescência - também por meio do equipamento - para assegurar a irradiação total das lesões.

O tratamento ocorre em duas sessões, com intervalo de uma semana entre elas. Após 30 dias, as lesões são reavaliadas e submetidas a uma biópsia para confirmar se os tumores foram eliminados.

O procedimento está em processo de avaliação para ser implementado no Sistema Único de Saúde (SUS).


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