16/01/2019

Transplante de útero contra infertilidade tem sucesso no Brasil

Com informações da Agência Fapesp
Transplante de útero contra infertilidade tem sucesso no Brasil
Cirurgia com útero de doadora morta realizada em São Paulo é a primeira bem-sucedida no mundo.
[Imagem: Bárbara Malagoli/Ejzenberg, D. et al. The Lancet. 2018]

Transplante de útero

Médicos da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) anunciaram o primeiro sucesso mundial de um tipo de transplante de útero que torna a receptora capaz de engravidar.

Uma menina nasceu 15 meses depois da cirurgia, tendo completado um ano de idade em 15 de dezembro de 2018. Ela e a mãe estão saudáveis.

O transplante de um útero retirado de uma doadora morta foi o primeiro a dar certo no mundo, depois de cerca de 10 tentativas, com a mesma abordagem, nos Estados Unidos, na Turquia e na República Checa. Com doadoras vivas, desde 2013 houve 39 transplantes, resultando em 11 bebês nascidos vivos.

À medida que alcançar uma escala mais ampla e for legitimado como modalidade terapêutica pelo sistema público de saúde, esse procedimento poderá se constituir em uma alternativa de tratamento para a infertilidade.

A mesma equipe da USP já se prepara para realizar dois outros transplantes nos próximos meses, beneficiando duas mulheres com idade entre 30 e 35 anos que não conseguem ter filhos.

Mulheres sem útero

"Esse é um grande avanço para a ginecologia e a obstetrícia brasileiras, ainda que as indicações sejam bastante limitadas," comentou o cirurgião Antônio Moron, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - esse tipo de transplante é indicado para mulheres sem útero em razão de problemas congênitos ou cirurgias.

A mulher de 32 anos que recebeu o primeiro transplante não tinha o órgão por causa da síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser, embora os ovários produzissem óvulos. A doadora havia tido três filhos de partos naturais e morrido de hemorragia cerebral aos 45 anos.

A receptora menstruou pela primeira vez 37 dias após o transplante e, dois meses depois, engravidou, por meio da transferência do embrião. Outra contribuição da equipe brasileira foi descobrir que o implante do embrião poderia ser feito antes de completar um ano do transplante de útero, o período aguardado pelas outras equipes com doadoras vivas, o que reduz os custos de medicamentos e os cuidados médicos.

O útero implantado não sofreu rejeição após o transplante nem durante a gestação e foi retirado após o parto para que a mulher pudesse parar de tomar os medicamentos imunossupressores e amamentar.

Este primeiro teste também demonstrou que o útero, em formato de pera, pode se manter em bom estado por oito horas depois de retirado da doadora; é o mesmo tempo que outros órgãos, como fígado e pâncreas, e quase o triplo do que o coração.


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