18/03/2019

Traumatismo craniano será tratado com luz

Redação do Diário da Saúde
Traumatismo craniano será tratado com luz
Pesquisadores brasileiros estão tentando levar a terapia com luz a um novo patamar.
[Imagem: HC/Jornal da USP]

Fotobiomodulação

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP estão desenvolvendo um método para reabilitar as funções cognitivas em pacientes com traumatismo cranioencefálico grave, vítimas de acidentes ou violência.

A terapia consiste na aplicação de laser, emitido por diodos instalados em um capacete, para promover a recuperação do tecido cerebral.

Diferentes terapias com uso de luz, reunidas sob o termo fotobiomodulação, já vêm sendo aplicadas para diversos problemas de saúde, de lesões ortopédicas e fibromialgia a Alzheimer e depressão - na verdade, qualquer doença em que se deseja promover ou inibir certas funções celulares, ou seja, modular estas funções.

O efeito regenerador da luz foi descoberto por acaso em um experimento com ratos que visava tratar tumores. Percebeu-se que o laser usado para queimar as células do câncer promovia a cicatrização dos ferimentos nos roedores. Ao investigarem por que isso acontecia, estudos posteriores demonstraram que, em intensidade e tempo adequados, a luz é capaz de aumentar a oxigenação das mitocôndrias, as usinas de produção de energia nas células, e assim acelerar o processo de regeneração dos tecidos.

No caso do traumatismo craniano, o objetivo é estimular a regeneração de neurônios lesionados.

Luz para tratar traumatismo craniano

A luz dos diodos emissores de luz (LED, na sigla em inglês) é capaz de penetrar no couro cabeludo e no crânio e tem potencial de melhorar a atividade celular do tecido cerebral comprometido.

O que os pesquisadores da USP buscam agora é dar um passo além, desenvolvendo diferentes abordagens para maximizar os efeitos positivos dessa terapia e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Uma das apostas é iniciar a terapia precocemente, na fase aguda da lesão, em até 8 horas após o acidente. "Essa admissão hospitalar poucas horas após o trauma diminui o acontecimento de eventos que poderiam confundir os resultados," explica o neurocirurgião João Gustavo dos Santos, que está liderando os ensaios clínicos.

Além disso, os pacientes incluídos no estudo devem apresentar sintomas de lesão axonal difusa, que consiste em danos aos axônios do neurônio no interior da bainha de mielina, resultando em uma degeneração grave da substância branca do cérebro. Isso porque os axônios, que constituem a substância branca, são as vias de transmissão dos impulsos nervosos entre os neurônios.

"Hoje, em toda medicina, ainda não temos nenhum tratamento para a lesão axonal difusa, que é uma das patologias associadas ao trauma cranioencefálico. Tudo que se faz é, literalmente, 'esperar e ver' como ela vai progredir, como o próprio organismo fará a recuperação," afirma o pesquisador.

Ensaio duplo-cego

O tratamento proposto no ensaio clínico prevê 18 sessões de estimulação por LED em pontos específicos do crânio durante seis semanas. A ideia é que os pacientes sejam avaliados quanto ao seu nível de consciência antes da estimulação e também depois de um mês, de três e de seis meses após a primeira estimulação.

Espera-se que a terapia de LED transcraniana melhore a função cognitiva dos pacientes, além de promover mudanças benéficas para a circulação sanguínea. Para aumentar o nível de confiabilidade dos resultados, o experimento está sendo feito dentro da metodologia duplo-cego, randomizado e controlado.


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