27/03/2020

Existem três tipos de amor... um deles sem amor

Redação do Diário da Saúde
Existem três tipos de amor... um deles sem amor
Esquerda: Pessoa com amor do tipo ternura, na qual a temperatura sobe nas mãos e no rosto.
Centro: Pessoa apaixonada por paixão subordinada, mostrando queda da temperatura nas mãos e no nariz.
Direita: Pessoa com compromisso amoroso, no qual a temperatura corporal não muda.
[Imagem: Gomez/Rodríguez - 10.13140/RG.2.2.15573.99043/1]

Tipos de amor

Cientistas da Universidade de Granada (Espanha) estão propondo que existam três tipos fisiológicos de amor: a paixão, a ternura e o compromisso social.

Eles fizeram essa classificação usando alterações de calor que ocorriam na pele das pessoas conforme elas observavam fotografias da pessoa amada ou conversavam com ela sobre sua intimidade.

Como a temperatura da pele apresentou variações bem específicas de acordo com o tipo de interação que estava ocorrendo, eles criaram o que chamam de "classificação fisiológica do amor".

Amor paixão

"A paixão está associada à novidade dos primeiros contatos amorosos, ao desejo e à busca de riscos, e está vinculada à dopamina (um neurotransmissor do sistema nervoso central). Nela se estabelece um jogo de poder obsessivo, do gato e rato, no qual sempre há um dominante e um subordinado, sendo as discussões acaloradas e as reconciliações homéricas," explicou o pesquisador Emilio Gomez.

As pessoas apaixonadas dominantes apresentaram um aumento da temperatura corporal de cerca de 2 ºC no rosto, mãos, peito e abdome, enquanto para os subordinados o amor causou um efeito térmico semelhante ao do medo ou do frio, diminuindo a temperatura das mãos e do nariz. É um tipo de resposta adaptativa geral, um jogo de luta ou fuga, mas esses papéis podem ser trocados durante a interação, dizem os psicólogos.

Amor ternura

No caso da ternura (ou intimidade), "se produz uma relação mais recíproca entre os dois membros do casal, fazendo a temperatura subir cerca de um 1 ºC no rosto e nas mãos, mas caindo no abdome," acrescentou Gomez.

Esse componente do amor está relacionado à empatia e à amizade, estando ligado à ocitocina (o hormônio responsável pelo amor materno) e nos leva a querer proteger o outro. Com frequência, a ternura vem depois da paixão, substituindo-a, diminuindo a atividade sexual do casal, mas aumentando a comunicação "porque o cuidado mútuo e as palavras de amor são um antídoto para a dor ou a tristeza," disse o pesquisador.

Amor... sem amor

Por último, o compromisso social está ligado aos níveis de serotonina (um neurotransmissor relacionado ao humor), e ocorre principalmente nas relações amorosas em que há interesses envolvidos. Gomez cita o caso de uma pessoa que está com outra porque precisa de ajuda para pagar o aluguel ou por que busca prestígio social. Esse componente do amor não causa mudanças térmicas quando a pessoa vê a fotografia do ente querido e nem mesmo em conversas íntimas.

Finalmente, o pesquisador separa seus três tipos de amor fisiológico de uma simples atração física: "Estes componentes do amor são diferentes da atração sexual, baseada na testosterona, onde há promiscuidade sexual, mas o outro satisfaz a nossa necessidade sem ser considerado especial em nenhum sentido," alerta o pesquisador.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Thermal map of passion and romantic love and Cold Stress Test
Autores: Emilio Gomez, Marta Puertollano Rodríguez
DOI: 10.13140/RG.2.2.15573.99043/1

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