Vacinação apresenta queda preocupante no Brasil

Vacinação apresenta queda preocupante no Brasil
Ao menos nove fatores contribuem para a redução na imunização infantil e aumentam o risco de doenças graves ressurgirem.
[Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil]

Vacinação em queda

Em agosto, o Brasil iniciou uma campanha de vacinação infantil em massa contra o sarampo e a poliomielite em meio a um quadro que causa apreensão: As taxas de imunização de crianças contra 17 doenças - entre elas o sarampo - atingiram em 2017 os níveis mais baixos em muitos anos.

O Ministério da Saúde e especialistas em imunologia, epidemiologia e saúde pública enumeram nove razões para explicar a queda abrupta nos números.

Os motivos vão de problemas com o sistema informatizado de registro de vacinação até médicos que orientam os pais a não vacinarem os filhos contra doenças que já não existem no país. Todas são causas plausíveis e prováveis e possivelmente atuam em conjunto.

Elas, porém, ainda não foram quantificadas, o que ajudaria a identificar e a executar ações complementares às campanhas de vacinação para resgatar os níveis de imunização elevados do passado.

O Ministério da Saúde aposta em cinco razões principais: a percepção enganosa dos pais de que não é preciso mais vacinar porque as doenças desapareceram; o desconhecimento de quais são os imunizantes que integram o calendário nacional de vacinação, todos de aplicação obrigatória; o medo de que as vacinas causem reações prejudiciais ao organismo; o receio de que o número elevado de imunizantes sobrecarregue o sistema imunológico; e a falta de tempo das pessoas para ir aos postos de saúde, que funcionam das 8h às 17h só nos dias úteis.

Problema sério

Uma consequência da redução no número de crianças vacinadas se tornou evidente com o surto de sarampo em Roraima e no Amazonas. A taxa de cobertura da tríplice viral, que protege da doença e alcançava 96% das crianças em 2015, baixou para 84% em 2017 e abriu caminho para o retorno da infecção ao país.

O Ministério da Saúde reconhece a gravidade do problema. Carla Domingues, coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI), afirmou que o surto atual de sarampo "evidencia nossas inadequadas coberturas vacinais e a urgente necessidade de melhorá-las".

Além da queda na aplicação da tríplice viral, que também previne contra caxumba e rubéola, dados divulgados em junho pelo ministério mostraram redução importante em 2016 e 2017 na aplicação de outras nove vacinas indicadas para o primeiro ano de vida.

Essas 10 vacinas estão disponíveis gratuitamente nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e protegem de 17 doenças causadas por vírus e bactérias que, até 40 anos atrás, matavam todo ano milhares de pessoas no Brasil ou deixavam parte com danos irreversíveis.

Os números do Ministério da Saúde indicam que a proporção de crianças brasileiras imunizadas em 2017 contra a poliomielite é a mais baixa desde 2000: em média, 77% delas receberam as três doses injetáveis indicadas para o primeiro ano de vida.

"É um problema nacional. A meta de vacinação não foi alcançada em 22 das 27 unidades da federação", afirmou Carla Domingues. E ainda mais grave: 312 municípios brasileiros, incluindo 44 do estado de São Paulo, estavam com menos da metade das crianças imunizadas.


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