24/10/2018

Análises revelam risco de contaminação em mamadeiras

Redação do Diário da Saúde
Análises revelam risco de contaminação em mamadeiras
As amostras de silicone não mostraram conformidade, apresentando migração de substâncias não listadas para uso em materiais de contato com alimentos.
[Imagem: Antoninho Perri/Unicamp]

Migração de substâncias nocivas

Materiais plásticos utilizados na fabricação de mamadeiras podem interagir com o alimento e expor as crianças a substâncias potencialmente nocivas em decorrência da migração de componentes do plástico para o leite.

O alerta foi emitido por pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Wellington da Silva Oliveira e Helena Teixeira Godoy, coordenadores do estudo, explicam que, apesar de mais de 50% da população utilizar mamadeiras na alimentação de crianças com até um ano de idade, ainda faltam dados sobre a migração de determinadas substâncias para o alimento, a partir de propileno, tritan e silicone, materiais comumente utilizados no Brasil para fabricação desses utensílios e de outros destinados em geral ao acondicionamento de alimentos.

Some-se a isso o fato de essas mamadeiras utilizarem pigmentos para coloração do corpo e do bico e nas impressões decorativas, que devem ser levados em conta porque todos esses aditivos podem migrar para o alimento, constituindo fatores de risco.

Evidências sugerem que a exposição precoce a vários destes compostos aumenta o risco do desenvolvimento de determinadas doenças crônicas e neurodegenerativas, alguns tipos de cânceres, além de disfunções nos sistemas endócrino e reprodutor. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece limites máximos de migração específica para alguns aditivos, como ftalatos, antioxidantes e nitrosaminas, em materiais que entram em contato com alimentos.

Contaminação do material das mamadeiras

Wellington avaliou a migração de ftalatos, antioxidantes, aminas aromáticas, nitrosaminas e metais e outras substâncias adicionadas não intencionalmente ao recipiente, que resultam de processos de reação, de degradação ou da presença de impurezas nas matérias-primas utilizadas na produção das mamadeiras. Das 196 amostras totais analisadas, 127 foram fabricadas com propileno, 49 com tritan e 20 com silicone.

As mamadeiras de polipropileno - predominantes no mercado -, tritan e silicone mostraram-se em conformidade em relação à migração de metais, nitrosaminas e aminas aromáticas. Por outro lado, embora a migração de ftalatos tenha sido detectada em todas as amostras, somente a mamadeira de silicone liberou concentrações acima do preconizado pela Anvisa.

Em relação às substâncias não adicionadas intencionalmente, as amostras de silicone não mostraram conformidade, pois apresentaram migração de substâncias não listadas para uso em materiais de contato com alimentos. Por fim, uma complexa mistura de aromas foi ainda detectada nas mamadeiras de silicone, responsáveis pelo odor forte e desagradável do utensílio.

"Mesmo com limites de migração abaixo do preconizado pela Anvisa, ainda é necessário adequar os utensílios de polipropileno e tritan de modo a restringir a presença de ftalatos em materiais destinados a crianças. No tocante ao silicone, deve ser reavaliada a sua utilização na fabricação de materiais destinados a crianças," concluiu Wellington.


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