27/01/2015

O anticoncepcional que aumenta o risco de contrair HIV em 40%

Sarah Young - UC Berkeley
O anticoncepcional que aumenta o risco de contrair HIV em 40%
Ainda não está claro por que o aumento do risco de contrair o HIV ocorre apenas entre as usuárias do acetato de medroxiprogesterona, mas não das outras formas de contracepção hormonal.
[Imagem: Cortesia da Mayo Clinic]

Depo-Provera

Uma análise de 12 estudos observacionais realizados na África subsaariana, envolvendo 39.560 mulheres, revelou que o uso de um contraceptivo injetável aumenta o risco de infecção com o HIV.

O risco das mulheres que usaram esse mecanismo de controle da natalidade aumentou em 40% em comparação com as mulheres que usaram outros métodos anticoncepcionais ou nenhum controle de natalidade.

O contraceptivo, acetato de medroxiprogesterona, é vendido sob a marca Depo-Provera, e é administrado na forma de uma injeção de três em três meses.

"Nós embarcamos neste estudo por causa da inconsistência na literatura científica sobre o tema," disse o principal autor do estudo, Dr. Ralph Lauren, da Universidade da Califórnia em Berkeley. "Os resultados têm implicações potencialmente grandes porque os contraceptivos hormonais permanecem populares para as mulheres em todo o mundo."

Anticoncepcionais e risco de HIV

Na análise, publicada na revista médica The Lancet Infectious Diseases, os pesquisadores selecionaram os estudos baseados no rigor metodológico - como se eles levaram em conta o uso de preservativos, por exemplo.

Além do Depo-Provera, os estudos examinaram outras formas comumente prescritas de contracepção hormonal, como o também injetável NET-EN (noretisterona oenatato), contraceptivos orais combinados e pílulas somente com progestina. Nenhum desses outros métodos de controle da natalidade parece aumentar o risco de infecção pelo HIV para as mulheres na população em geral.

Cerca de 144 milhões de mulheres em todo o mundo usam a contracepção hormonal, entre as quais cerca de 41 milhões usam formas injetáveis de controle de natalidade, em vez de tomar a tradicional pílula.

O estudo concluiu que as mulheres que usaram o acetato de medroxiprogesterona (Depo-Provera) apresentaram um risco 40% maior de contrair o HIV em comparação com as mulheres que usavam métodos não-hormonais e aquelas que não praticavam o controle da natalidade.

O risco aumentado foi ligeiramente inferior, 31%, entre os estudos feitos com mulheres na população em geral, sem comportamentos de risco específicos para a contaminação com o HIV.

Progestina

Ainda não está claro por que o aumento do risco de contrair o HIV ocorre apenas entre as usuárias do Depo-Provera, mas não das outras formas de contracepção hormonal, disseram os autores da análise.

Uma possibilidade é que o controle da natalidade com altos níveis de progestina, a forma sintética do hormônio natural progesterona, mude o revestimento vaginal ou altere a imunidade local, aumentando o risco de infecção pelo HIV.

Mas os pesquisadores enfatizam que este estudo não examinou os efeitos fisiológicos dos diferentes métodos contraceptivos e será necessário realizar mais pesquisas sobre os possíveis mecanismos biológicos subjacentes.

Siga o Diário da Saúde no Google News

Ver mais notícias sobre os temas:

Saúde da Mulher

Gravidez

Vírus

Ver todos os temas >>   

A informação disponível neste site é estritamente jornalística, não substituindo o parecer médico profissional. Sempre consulte o seu médico sobre qualquer assunto relativo à sua saúde e aos seus tratamentos e medicamentos.
Copyright 2006-2024 www.diariodasaude.com.br. Todos os direitos reservados para os respectivos detentores das marcas. Reprodução proibida.