13/04/2022

Cardamonina é promissora contra câncer de mama agressivo

Redação do Diário da Saúde
Cardamonina é promissora contra câncer de mama agressivo
A produção de PD-L1 ajuda as células de câncer de mama a escapar do sistema imunológico, mas a cardamonina pode bloquear esse processo, levando à morte das células tumorais.
[Imagem: Patricia Mendonca/Florida A&M University]

Triplo negativo

A cardamonina, um composto natural encontrado na especiaria cardamomo e em outras plantas, tem grande potencial terapêutico para tratar o câncer de mama triplo negativo, o mais grave de todos.

A equipe da professora Patrícia Mendonça, da Universidade A&M da Flórida (EUA), também demonstrou que o composto tem como alvo um gene que ajuda as células cancerígenas a iludir o sistema imunológico.

Cerca de 10 a 15% dos cânceres de mama são triplo-negativos, o que significa que eles não têm receptores para estrogênio ou progesterona e não produzem quantidades excessivas de uma proteína chamada HER2. Esses tumores são difíceis de tratar porque não respondem às terapias à base de hormônios usadas para outros tipos de câncer de mama. Eles também tendem a ser mais agressivos e têm uma taxa de mortalidade mais alta do que outros cânceres de mama.

"Tem sido um desafio desenvolver uma terapia direcionada para o câncer de mama triplo-negativo que seja segura e eficaz ao mesmo tempo. Por causa disso, há uma necessidade crítica de investigar plantas medicinais como uma nova maneira de combater esse câncer," justificou Patrícia.

Cardamonina

Foram usadas duas linhagens celulares de câncer de mama triplo-negativo geneticamente diferentes, uma derivada de mulheres com ascendência afro-americana e a outra de mulheres de origem europeia (caucasianas).

A equipe estudou como a cardamonina afeta a expressão do gene ligante 1 da morte celular programada (PD-L1), encontrado em células tumorais. O PD-L1 é superexpresso durante a progressão do câncer de mama e desempenha um papel crítico em ajudar as células do câncer de mama a escapar do sistema imunológico do corpo.

O tratamento com cardamonina causou uma diminuição dependente da dose na viabilidade celular em ambas as linhagens celulares e também reduziu a expressão do PD-L1 na linhagem celular caucasiana, mas não na linha celular afro-americana, indicando que células de diferentes ascendências podem responder de maneira diferente à cardamonina devido a variações genéticas.

"O fato de a cardamonina ser usada há séculos como tempero e, mais recentemente, como suplemento, mostra que sua ingestão é segura e pode trazer benefícios à saúde. Nossa pesquisa mostra que a cardamonina tem potencial para melhorar a terapia do câncer sem tantos efeitos colaterais quanto outros quimioterápicos," disse Patrícia.

Os pesquisadores alertam que esta pesquisa ainda está em andamento. Eles planejam realizar mais estudos em células e animais para confirmar a eficácia deste composto antes de ele ser testado em pessoas. A equipe também pretende explorar outros mecanismos que possam estar envolvidos nas propriedades anticancerígenas da cardamonina.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Effects of Cardamonin on PD-1/PD-L1 Checkpoint in Triple-Negative Breast Cancer
Autores: Patricia Mendonca, Lonnie Hill, Karam Soliman
Publicação: Proceedings of The Experimental Biology 2022
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