26/06/2019

Carne cultivada em laboratório ou carne de insetos? O que é melhor?

Redação do Diário da Saúde
Carne cultivada em laboratório ou carne de insetos? O que é melhor?
Para quem não consegue nem olhar para os bichinhos a farinha de inseto pode ser usada em almôndegas e bolinhos.
[Imagem: VTT]

Alternativas à pecuária

Segundo os ambientalistas, a pecuária extensiva, de baixa produtividade, é uma das principais causas do desmatamento, da degradação do solo e da água, da perda de biodiversidade, da chuva ácida e um contribuinte importante do aquecimento global.

Entre as alternativas, esses especialistas recomendam dietas baseadas em plantas, consumo da carne de insetos, carne cultivada em laboratório e até animais geneticamente modificados.

Mas qual é a melhor delas?

Tudo isso combinado, dizem pesquisadores da Universidade Tufts (EUA), em um artigo publicado na revista científica Frontiers in Sustainable Food Systems.

Labricultura

Natalie Rubio e seus colegas explicam por que a carne de insetos cultivada em laboratório - alimentados com plantas cultivadas e geneticamente modificados para melhor crescimento, nutrição e sabor - poderia ser uma alternativa verde para a produção de alimentos nutritivos e de alto volume.

A criação de insetos tem uma demanda de água e espaço pequena - pense na agricultura vertical - e um grilo tem o dobro do volume comestível em comparação com uma vaca.

"Devido às preocupações ambientais, de saúde pública e de bem-estar animal associadas ao nosso atual sistema pecuário, é vital desenvolver métodos mais sustentáveis de produção de alimentos," justificou ela.

Os insetos são melhores porque mesmo animais de corte (gado) geneticamente modificados, por exemplo, que produzem menos metano ou resistem a doenças, pouco podem fazer para aliviar problemas como a degradação da terra e da água, o desmatamento e a perda de biodiversidade.

Por outro lado, para os amantes da carne, os substitutos à base de soja ou cogumelos simplesmente não atendem às exigências e gostos - e algumas plantas têm a mesma sede que o gado.

A carne cultivada em laboratório, por sua vez, poderia colocar ainda menos pressão sobre a água e o espaço, sem comprometer o sabor. Porém, cultivar células de carne bovina, suína ou de frango pode exigir mais energia e recursos do que a criação de gado, o que significaria trocar os arrotos ricos em metano dos bovinos por maior consumo de combustíveis fósseis.

Gosto da carne artificial

Fazendo o balanço de tudo, Rubio conclui que melhor solução pode estar na intersecção de todas essas opções: carne de insetos cultivada em laboratório.

"Em comparação com células cultivadas de mamíferos, aves e outros vertebrados, as culturas de células de insetos exigem menos recursos e menos controle ambiental intensivo em energia, pois eles têm menor necessidade de glicose e podem prosperar em uma ampla gama de condições de temperatura, pH, oxigênio e osmolaridade," relata a pesquisadora. "As alterações necessárias para a produção em larga escala também são mais fáceis de alcançar com as células de insetos, que atualmente são usadas para biomanufatura de inseticidas, drogas e vacinas".

O grande problema para a adoção dessa alternativa, portanto, passa a ser: Que gosto esse negócio vai ter?

A resposta curta, diz Rubio, é que ninguém sabe.

"Apesar desse imenso potencial, a carne cultivada de insetos não está pronta para consumo. As pesquisas estão em andamento em busca do controle de dois processos-chave: controlar o desenvolvimento das células de insetos em músculos e gordura, e combiná-las em culturas 3D com uma textura semelhante à carne. Para esse último, esponjas feitas de quitosana - uma fibra derivada de cogumelos que também está presente no exoesqueleto dos invertebrados - são uma opção promissora."

Eventualmente, a labricultura - cultura de carne em laboratório - de insetos pode revelar alguns sabores mais familiares, já que as tecnologias podem ter aplicação mais ampla.

"Os avanços na cultura de células de insetos e engenharia de tecidos podem ser potencialmente traduzidos para lagosta, caranguejo e camarão, devido à proximidade evolutiva de insetos e crustáceos," sugere Rubio.


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