08/05/2020

De Voldemort a Darth Vader, vilões podem despertar nosso lado sombrio

Redação do Diário da Saúde
De Voldemort a Darth Vader, vilões podem despertar nosso lado sombrio
Se até o hormônio da felicidade tem seu lado vilão, que mal há em se comparar com os vilões da ficção?
[Imagem: Bence Kulcsar/Pixabay]

Atração do lado sombrio

Os psicólogos acreditam que o tão aclamado gênero épico no cinema e na TV deve seu sucesso ao fornecer heróis e modelos que as pessoas comuns, incapazes de grandes feitos, podem se espelhar para sentirem-se mais significativas.

E parece que o oposto também pode ser verdadeiro, com as pessoas sentindo-se assustadoramente atraídas por vilões da ficção, de Voldemort a Darth Vader.

Contudo, não há razão para ficar tão preocupado: Em vez de ser seduzido pelo chamado lado sombrio, o fascínio de personagens malignos pode ter uma explicação mais tranquilizadora.

De acordo com a professora Rebecca Krause, da Universidade Northwestern (EUA), as pessoas podem achar os vilões da ficção surpreendentemente agradáveis quando eles compartilham semelhanças com os seres do mundo real - como o próprio espectador ou leitor.

Essa atração por versões potencialmente mais sombrias de nós mesmos nas histórias ocorre mesmo que sejamos repelidos por indivíduos do mundo real que apresentem comportamentos igualmente imorais ou instáveis.

Uma das razões para essa mudança é que a ficção age como uma "rede de segurança cognitiva", permitindo que nos identifiquemos com personagens vilões sem manchar nossa autoimagem.

"Nossa pesquisa sugere que histórias e mundos ficcionais podem oferecer um 'porto seguro' para comparação com nosso eu mais sombrio," diz Krause. "Quando as pessoas se sentem seguras, elas ficam mais interessadas em comparações com personagens negativos que são semelhantes a si mesmas em outros aspectos".

De Voldemort a Darth Vader, vilões podem despertar nosso lado sombrio
Mas há problemas com os "caras bonzinhos" dos filmes também: os super-heróis influenciam negativamente as crianças, além do que, geralmente os super-heróis do cinema são mais violentos do que os vilões.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Comparação com segurança

Os cientistas sugerem há muito tempo que as pessoas recuam ante outras pessoas que, de várias maneiras, são semelhantes a elas mesmas, mas que possuem características negativas, como antipatia, instabilidade e traição. Isso porque, segundo os cientistas, características antissociais em alguém com qualidades semelhantes poderiam ser uma ameaça à autoimagem de uma pessoa.

"As pessoas querem se ver de uma maneira positiva," observa Krause. "Encontrar semelhanças entre si e uma pessoa má pode ser desconfortável."

Por outro lado, Krause e seu colega Derek Rucker descobriram em seus experimentos que colocar a pessoa má em um contexto ficcional pode remover esse desconforto e até reverter essa preferência. Em essência, essa separação da realidade atenua sentimentos indesejáveis e desconfortáveis.

"Quando você não está mais desconfortável com a comparação, parece haver algo sedutor e atraente em ter semelhanças com um vilão," explica Rucker.

Os dados coletados pelos dois pesquisadores não são suficientes para identificar quais comportamentos ou características os participantes consideraram atraentes nos caras maus da ficção. Por isso, mais pesquisas serão necessárias para explorar a atração psicológica dos vilões e se as pessoas são atraídas por vilões na ficção em busca de modos seguros de explorar seu próprio lado obscuro pessoal.

"Talvez a ficção forneça uma maneira de se envolver com os aspectos sombrios de sua personalidade sem fazer você questionar se você é uma boa pessoa em geral," sugere Krause.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Can Bad Be Good? The Attraction of a Darker Self
Autores: Rebecca J. Krause, Derek D. Rucker
Publicação: Psychological Science
DOI: 10.1177/0956797620909742

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