01/06/2020

Descoberta estrutura cerebral que controla nosso comportamento

Redação do Diário da Saúde
Descoberta estrutura cerebral que controla nosso comportamento
A descoberta só foi possível graças ao caso muito especial de uma paciente que teve os dois lados do cérebro igualmente afetados por um AVC.
[Imagem: Matthias L. Schroeter et al. - 10.1016/j.cortex.2020.03.010]

Funções executivas

Resolver problemas, planejar nossas próximas ações, controlar emoções - todas são funções executivas, processos fundamentais para controlar nosso comportamento.

Isso inclui a atenção seletiva, também conhecida como capacidade de se concentrar em um estímulo e suprimir outros, e a memória de trabalho, com a qual podemos reter e manipular informações.

Essas funções também nos permitem planejar ações e dividi-las em etapas individuais.

Matthias Schroeter e seus colegas do Instituto Max Planck de Ciências Cognitivas e Cerebrais (Alemanha) conseguiram agora identificar uma região crucial do cérebro responsável por processar essas habilidades.

Síndrome disexecutiva

Embora todas essas funções executivas sejam muito estudadas, algumas pessoas não se saem com elas, achando difícil se concentrar, planejar suas ações de maneira orientada para objetivos, ou têm pouco controle sobre seus impulsos e emoções.

Essas pessoas sofrem de uma condição rara, chamada síndrome disexecutiva, geralmente causada por trauma craniocerebral ou derrame. E foi graças à possibilidade de estudar em detalhes uma paciente com síndrome disexecutiva que Schroeter e seus colegas fizeram sua descoberta.

A paciente de 56 anos sofreu vários derrames que atingiram uma região muito importante do cérebro, a chamada área da junção frontal inferior (JFI) no lobo frontal do córtex cerebral nos dois hemisférios. A lesão resultou em que que ela não era mais capaz de passar mesmo por testes psicológicos básicos.

A característica especial dessa paciente é que a lesão foi limitada apenas à JFI, mas em ambos os hemisférios do cérebro igualmente. Normalmente, um acidente vascular cerebral fere áreas maiores do cérebro ou não é restrito a uma área definida. Além disso, raramente afeta as áreas homólogas nos dois hemisférios do cérebro ao mesmo tempo. Por mais difícil que seja a situação para a paciente, ela oferece uma oportunidade única para a ciência investigar o papel dessa região para as funções executivas.

Tratamentos pós-derrame

"A partir de exames funcionais de ressonância magnética em pessoas saudáveis, já se sabia que a JFI é cada vez mais ativada quando é necessária atenção seletiva, memória de trabalho e outras funções executivas. No entanto, a prova final de que essas habilidades executivas estão localizadas lá ainda não havia sido fornecida," explica Schroeter.

Evidências causais dessas relações funcional-anatômicas só podem ser obtidas quando as áreas são realmente desligadas - e, portanto, as habilidades realmente localizadas lá deixam de funcionar. "Conseguimos fornecer essa prova com a ajuda desta paciente," acrescentou Schroeter.

"Se os pacientes sofrem com a perda de funções executivas após um acidente ou acidente vascular cerebral, por exemplo, geralmente tornam-se menos capazes de regenerar as outras habilidades afetadas porque têm dificuldade em planejar isso," disse Schroeter. "No futuro, quando as imagens e os bancos de dados das lesões nos fornecerem informações mais detalhadas sobre quais regiões e, portanto, quais habilidades, falharam, seremos capazes de adaptar a terapia ainda mais especificamente."

Checagem com artigo científico:

Artigo: From correlational approaches to meta-analytical symptom reading in individual patients: Bilateral lesions in the inferior frontal junction specifically cause dysexecutive syndrome
Autores: Matthias L. Schroeter, Simon B. Eickhoff, Annerose Engel
Publicação: Cortex
Vol.: 128, Pages 73-87
DOI: 10.1016/j.cortex.2020.03.010

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