Distúrbios cerebrais custam milhões de anos de vida saudável

Distúrbios cerebrais custam milhões de anos de vida saudável
A ocorrência de AVC vem diminuindo, mas ainda é uma das principais causas de morte.
[Imagem: DOI: 10.1016/S1474-4422(17)30299-5]

Distúrbios cerebrais

O número de pessoas que morreram ou ficaram incapacitadas devido a distúrbios cerebrais aumentou significativamente nos últimos 25 anos.

Este fato deve servir como um alerta para que os políticos otimizem a prestação de cuidados de saúde.

Esta foi a principal mensagem enviada por especialistas em neurologia de todo o mundo que se reuniram durante o 4.º Congresso da Academia Europeia de Neurologia, em Lisboa.

"Os distúrbios cerebrais como o AVC, a demência, as cefaleias, a esclerose múltipla e a doença de Parkinson são a principal causa de incapacidade e a segunda causa de morte mais comum. As implicações humanas e econômicas - de anos de vida perdidos a custos diretos e indiretos - não devem ser algo em que apenas os pesquisadores se concentram, devendo os políticos, em especial, fazê-lo também," disse o professor Günther Deuschl, presidente da Academia Europeia de Neurologia.

Anos saudáveis perdidos

Durante o evento, um grupo internacional de neurocientistas (Neurological Disorders Collaborator Group) apresentou um estudo que mostra um total de 250,7 milhões de DALY (disability-adjusted life-years, ou anos de vida ajustados por incapacidade, ou seja, anos de vida saudável perdidos devido a doença ou morte prematura ) causados por condições neurológicas em todo o mundo. Isto é mais de 10% de todos os DALY. Os distúrbios cerebrais foram responsáveis por 9,4 milhões de mortes no mesmo ano - quase 17% de todas as mortes durante o ano.

As mortes por distúrbios cerebrais, entre 1990 e 2015, chegaram a 36,7%.

O número de fatalidades atribuíveis a AVC ou a doenças neurológicas transmissíveis diminuiu significativamente nesses 25 anos. Apesar disso, em nível global, o AVC ainda é o distúrbio cerebral responsável pelo maior número de DALY (47,3%), bem como pelo maior número de mortes (67,3%). A doença de Alzheimer e outras formas de demência são a quarta maior causa de incapacidade e a segunda causa de morte mais comum.

Neurogenética

No campo das pesquisas, o congresso destacou o campo da neurogenética, que vem crescendo à medida que se ampliam os estudos sobre as influências e associações genéticas em numerosos distúrbios cerebrais.

A neurogenética tem-se mostrado uma ferramenta útil para identificar principalmente distúrbios raros que causam sintomas neurológicos e que, muitas vezes, não são reconhecidos durante muito tempo, deixando os doentes com incertezas sobre o seu estado de saúde.

Já existem opções terapêuticas para alguns destes distúrbios, como a substituição de enzimas específicas, os medicamentos direcionados ou uma dieta específica.

Existem certas formas da doença dos pequenos vasos (microangiopatia) que podem ser determinadas através de mutações genéticas, havendo consultas disponíveis para os doentes.

Nos distúrbios neurológicos frequentes, como a epilepsia, a doença de Alzheimer e a doença de Parkinson, existem formas hereditárias, embora a detecção de riscos genéticos em pessoas assintomáticas venha levantando sérios questionamentos éticos por parte da própria comunidade médica e científica.


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