29/12/2020

Alzheimer, Parkinson e outras doenças neurodegenerativas acontecem em 2 fases

Redação do Diário da Saúde
Doenças neurodegenerativas - como Alzheimer e Parkinson - acontecem em 2 fases
Doenças degenerativas tão variadas como Alzheimer, Parkinson e atrofia muscular ocorrem em duas fases (verde e vermelha) marcadas por alterações distintas na atividade das proteínas da via de sinalização TOR, AMPK, Foxo e JNK. Na fase inicial (esquerda), a autofagia é suprimida, o que aumenta o estresse oxidativo, eventualmente ocasionando a fase tardia (direita), em que a autofagia é restaurada, causando rápida degeneração.
[Imagem: M. Stern/Rice]

Duas doenças diferentes

As doenças degenerativas não são uma coisa só - elas acontecem em duas fases distintas.

A descoberta veio da análise de incontáveis experimentos, realizados por diversas equipes de cientistas, ao longo de mais de uma década.

Agora, os professores Michael Stern e James McNew, da Universidade Rice (EUA), resumiram tudo em um diagrama simples, que eles afirmam poder mudar a forma como os médicos percebem e tratam doenças degenerativas tão variadas quanto Alzheimer, Parkinson e atrofia muscular.

De forma resumida, a dupla concluiu que as duas fases das doenças neurogenerativas são bem marcadas por atividades muito diferentes das vias de sinalização de proteínas que regulam as funções celulares básicas.

"Gostaríamos que os médicos e outros pesquisadores entendessem que as duas fases da degeneração representam entidades distintas, com alterações distintas nas vias de sinalização, que têm efeitos distintos na patologia da doença. Em outras palavras, pensamos que os pacientes precisam ser tratados de forma diferente, dependendo de em qual fase estão," disse o professor Stern.

Fases da doença neurodegenerativa

O diagrama elaborado para resumir as pesquisas mostra como a atividade de proteínas-chave de sinalização das células aumenta ou diminui no início da neurodegeneração, ocasionando o estresse oxidativo.

O estresse oxidativo dá então origem à segunda fase do quadro, durante a qual ocorre a degeneração propriamente dita, onde as proteínas sinalizadoras implicadas na primeira fase mudam completamente de comportamento.

Como as células se comportam de maneira bastante diferente nas duas fases, os pesquisadores sugerem que pacientes em diferentes fases de uma doença podem responder de maneira diferente ao mesmo tratamento.

"Hoje, eles são tratados como uma população, e achamos que isso confundiu os ensaios clínicos e explica por que alguns ensaios sobre o mal de Alzheimer deram efeitos variáveis e irreproduzíveis. Seria como tentar tratar todos os pacientes com meningite com antibióticos, sem perceber que existem dois tipos de meningite, uma bacteriana e outra viral," comparou o professor McNew.

Proteína TOR

Um elemento chave na cascata de eventos agora descrita é uma proteína chamada TOR, um regulador mestre do crescimento celular e uma proteína essencial para toda a vida de ordem superior, desde a levedura até os humanos.

A TOR atua como um botão de controle, ajustando o crescimento para cima ou para baixo para se adequar às condições que a célula está enfrentando. Em algumas condições, o alto crescimento é garantido e benéfico, e em outras situações o crescimento precisa ser desacelerado para que energia e recursos possam ser conservados para as tarefas diárias, como a reciclagem ou reparo que ocorre durante um processo conhecido como autofagia.

Alguns cânceres sequestram a TOR para promover o crescimento celular agressivo, e o aumento da atividade da TOR também está implicado em distúrbios neurodegenerativos, como as doenças de Alzheimer e Parkinson, e em doenças marcadas por atrofia muscular.

Agora que se compreendeu claramente que existem duas fases da neurodegeneração, Stern afirma que ele e McNew se preparam para realizar mais experimentos, para ver como os efeitos de genes específicos na degeneração são alterados quando ativados nas fases inicial e tardia da doença.

Checagem com artigo científico:

Artigo: A transition to degeneration triggered by oxidative stress in degenerative disorders
Autores: Michael Stern, James A. McNew
Publicação: Molecular Psychiatry
DOI: 10.1038/s41380-020-00943-9
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