Conheça os pernilongos responsáveis pela transmissão da Febre Amarela

Febre amarela: pesquisadores identificam pernilongos transmissores
Este é o Haemagogus janthinomys, um dos responsáveis pela transmissão da febre amarela no Brasil nos surtos de 2017 e 2018.
[Imagem: Josué Damacena]

Pernilongos que transmitem febre amarela

Os pernilongos silvestres Haemagogus janthinomys e Haemagogus leucocelaenus foram os principais responsáveis pela transmissão de febre amarela nos recentes surtos da doença no Brasil.

A conclusão é de uma equipe liderada por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), que analisou quase 18 mil insetos entre 2015 e 2018.

O amplo levantamento encontrou mosquitos das duas espécies em grande quantidade e infectados em cidades do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais que apresentavam casos em humanos e em primatas. Análises do genoma dos vírus detectados nesses mosquitos confirmaram a presença da mesma linhagem viral identificada em macacos e pacientes.

"Após capturarmos e analisarmos cerca de 18 mil mosquitos de mais de 80 espécies, podemos afirmar que estas duas espécies de Haemagogus foram os vetores primários da febre amarela no surto e são elas que devem estar no foco das ações," disse o coordenador da pesquisa, Ricardo Lourenço de Oliveira.

"A partir dessas informações, é possível estabelecer melhores estratégias de vigilância, avaliar a receptividade de novas áreas à doença e calcular índices entomológicos que podem contribuir para prever a possibilidade de novos surtos," complementou Filipe Abreu, primeiro autor do artigo que descreve a descoberta, publicado na revista Emerging Microbes and Infections.

Febre amarela: pesquisadores identificam pernilongos transmissores
Este é o Haemagogus leucocelaenus, o outro responsável pela transmissão da febre amarela no Brasil nos surtos de 2017 e 2018.
[Imagem: Genilton José Vieira]

Mosquito da dengue sem febre amarela

Ao todo, os pesquisadores identificaram 89 espécies de insetos. Além dos H. janthinomys e H. leucocelaenus, apenas três outros mosquitos silvestres foram achados com o vírus da febre amarela, mas em baixa quantidade e em locais específicos.

Nenhum Aedes aegypti ou Aedes albopictus - insetos com potencial para transmissão da doença em área urbana - foi encontrado infectado. "Nem mesmo mosquitos Aedes coletados no interior de casas de pessoas com febre amarela estavam infectados," disse Ricardo.

Considerando tudo, os pesquisadores reforçam que os surtos foram causados pela transmissão silvestre do agravo, mas alertam que esse tipo de contágio não ocorre apenas no interior de grandes florestas.

"Existe a visão de que apenas quem penetra na mata tem risco de pegar febre amarela silvestre, mas não é bem assim. Pessoas que estão fora da floresta, porém em áreas próximas, também podem ser picadas pelos mosquitos silvestres. A prevenção da doença, principalmente a vacinação, precisa considerar isso," enfatiza Ricardo.

Surto de febre amarela

Devido à baixa cobertura vacinal, o Brasil se viu, nos verões de 2017 e de 2018, diante dos dois maiores surtos de febre amarela da história. No verão deste ano a doença chegou à região Sul, com quatro casos já confirmados no estado do Paraná.

Tendo em vista o risco iminente de novas infecções, o Ministério da Saúde recomenda, desde o mês passado, que quem mora ou vai viajar para as regiões Sul e Sudeste deve se vacinar contra a febre amarela e é preciso tomar a dose ao menos dez dias antes da viagem.

Recentemente, a OMS alertou que um novo surto de febre amarela pode estar a caminho.


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