14/02/2022

Flavonoides convertem gordura ruim em gordura boa

Redação do Diário da Saúde
Flavonoides convertem gordura ruim em gordura boa
Processo de ativação do sistema nervoso simpático para produzir gordura marrom.
[Imagem: Yuko Ishii et al. - 10.3390/nu13124214]

Gordura marrom

Em condições frias, o tecido adiposo marrom - ou gordura marrom - gera calor para manter o corpo aquecido.

Esta é a gordura dos bebês, também conhecida como "gordura boa" - na verdade ela também está presente nos adultos e é tão importante que se acredita tratar-se de um órgão endócrino que controla o metabolismo.

Em comparação com o tecido adiposo branco, a gordura que ninguém quer ter, a gordura marrom possui mais mitocôndrias - organelas subcelulares associadas à produção de energia - o que permite queimar calorias e produzir calor pela ativação da proteína de desacoplamento mitocondrial 1 (Ucp-1).

Já sabemos que é possível convencer o corpo a produzir gordura boa, com a estimulação do sistema nervoso simpático (SNS) mediante a exposição ao frio, exercício e restrição calórica.

Os polifenóis ingeridos pela alimentação também podem ativar gordura marrom, fazendo com que o calor seja dissipado de nossos corpos. A ativação dessa gordura, bem como o escurecimento da gordura branca são, portanto, terapeuticamente significativos no combate às doenças cardiovasculares e suas comorbidades.

Polifenóis para produzir gordura boa

Sabendo de tudo isso, cientistas japoneses decidiram examinar a possibilidade de induzir o escurecimento da gordura - fazer a gordura branca virar gordura marrom - pela administração dietética de flavonoides (FLs - flavan 3-ols), uma família de catequinas contendo polifenóis, que são abundantes no cacau, maçã, semente de uva e no vinho tinto.

Yuko Ishii e seus colegas do Instituto de Tecnologia Shibaura (Japão) comprovaram que os FLs aumentam o escurecimento do tecido adiposo ativando o sistema nervoso simpático, que secreta neurotransmissores catecolaminas, como adrenalina (AD) e noradrenalina (NA).

Os resultados revelaram uma correlação direta entre o escurecimento da gordura e o consumo de FLs, o que promete ajudar os pesquisadores a desenvolver novos tratamentos para doenças relacionadas à obesidade. Na verdade, a equipe acredita que os resultados de seu estudo podem contribuir para a prevenção das doenças relacionadas ao estilo de vida em geral.

Flavonoides convertem gordura ruim em gordura boa
Tecido não tratado (esquerda) e tecido tratado com flavonoides (direita).
[Imagem: Naomi Osakabe/Shibaura Institute of Technology]

Maravilhas dos flavonoides

Esta não é a primeira vez que flavonoides fizeram maravilhas.

Melhorias na tolerância à glicose e à insulina foram observadas após apenas uma dose de administração de alimentos ricos nesses compostos. No conjunto, esses resultados evidenciam a necessidade de discutir os aspectos agudos e crônicos das respostas metabólicas geradas pelo consumo de FLs, diz a equipe.

"Embora o mecanismo de escurecimento adiposo não seja totalmente compreendido, é possível que a administração repetida de FLs possa produzir escurecimento através das catecolaminas e seus receptores," explicou a professora Naomi Osakabe. "Mais estudos serão necessários para entender como esse processo é induzido por alimentos ricos em FL".

Checagem com artigo científico:

Artigo: Repeated Oral Administration of Flavan-3-ols Induces Browning in Mice Adipose Tissues through Sympathetic Nerve Activation
Autores: Yuko Ishii, Orie Muta, Tomohiro Teshima, Nayuta Hirasima, Minayu Odaka, Taiki Fushimi, Yasuyuki Fujii, Naomi Osakabe
Publicação: Nutrients
DOI: 10.3390/nu13124214
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