11/04/2019

Hábitos saudáveis podem evitar 27% dos casos de câncer no Brasil

Com informações da Agência Fapesp
Hábitos saudáveis podem evitar 27% dos casos de câncer no Brasil
Hábitos saudáveis poderiam evitar 27% dos casos de câncer no Brasil, contrapondo-se a cinco fatores de risco - sedentarismo, má alimentação, sobrepeso, tabagismo e consumo de álcool.
[Imagem: Daniel Antônio/Agência FAPESP]

Como evitar o câncer

Tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, alimentação não saudável e falta de atividade física são os fatores de risco associados a um terço das mortes causadas por 20 tipos de câncer no Brasil.

E, do total dos casos de câncer anuais no Brasil, pelo menos 114 mil (27% do total) poderiam ser evitados com um estilo de vida mais saudável.

Quanto às mortes causadas pela doença, 63 mil vidas (34% do total) poderiam ser poupadas.

Esta é a conclusão de uma equipe de pesquisadores do Departamento de Medicina Preventiva da USP (Universidade de São Paulo) e da Universidade Harvard (EUA).

Segundo o estudo, as incidências de câncer de pulmão, de laringe, de orofaringe, de esôfago, de cólon e de reto poderiam ser reduzidas pela metade caso os cinco fatores de risco - tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, alimentação não saudável e falta de atividade física - fossem eliminados.

"Uma questão que chama a atenção nesses resultados é a proporção de casos que poderia ser evitada ao reduzir os fatores de risco relacionados ao estilo de vida. De acordo com diversos trabalhos anteriores nessa área, não há nenhuma outra medida capaz de prevenir tantos casos. O estudo deve servir de base para a formulação de políticas públicas para a prevenção de câncer no Brasil," disse Leandro Rezende, da USP e um dos autores do estudo.

Redução dos riscos e eliminação dos riscos

Os pesquisadores consideraram dois cenários: um com risco mínimo teórico (eliminação total dos riscos relacionados ao estilo de vida) e outro com base em metas de políticas públicas e recomendações para a prevenção do câncer (atenuação da prevalência dos fatores de risco).

Nesse cenário de restrição dos fatores de risco, o consumo de álcool teria uma redução relativa de 10%, para menos de 50 gramas por dia. Também fazem parte desse cenário uma redução no IMC de 1 quilo por metro ao quadrado (kg/m2) na média da população, uma dieta com 200 a 399 miligramas (mg) de cálcio por dia e a redução de 30% na prevalência do consumo de tabaco.

"Estimamos também o impacto de reduções (e não só a eliminação por completo) desses hábitos não saudáveis, o que é muito interessante para a saúde pública. Com o incentivo a hábitos mais saudáveis, segundo recomendações de prevenção do câncer, já seria possível evitar um número importante de mortes e casos da doença", disse Rezende.

Pelos cálculos do cenário que apenas atenua os riscos, 4,5% dos casos (19.731 casos) e 6,1% das mortes (11.480 mortes) poderiam ser evitados.

Prevenção do câncer

O câncer é uma doença multifatorial e está entre as principais causas de morte no Brasil. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a expectativa é que, em 2025, os casos aumentem em até 50% no país, principalmente pelo crescimento populacional e pelo envelhecimento da população.

Porém, segundo os pesquisadores, além das mudanças na estrutura populacional, o aumento na prevalência dos cinco fatores de risco relacionados ao estilo de vida do brasileiro pode representar desafios adicionais para o controle do câncer no país.

"A prevenção primária do câncer por meio de modificações no estilo de vida é uma das abordagens mais interessantes e realistas para o controle da doença no Brasil," disse Rezende.

Garantir o acesso a parques e outros locais de lazer são medidas que deveriam ser consideradas em termos de políticas públicas para a saúde.

"Incentivar a prática de atividade física, a alimentação saudável e ter locais de lazer em todas as áreas da cidade - perto da casa das pessoas - são medidas de prevenção primária que não devem ser desprezadas pelos gestores públicos. Pelo contrário, além de ter um impacto grande na redução de mortes, esse incentivo a uma vida mais saudável reduz consideravelmente o número de casos da doença", disse o professor José Eluf Neto.


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