14/02/2019

Nanopartículas podem induzir metástase do câncer

Redação do Diário da Saúde
Nanopartículas podem induzir metástase do câncer
Nanopartículas de dióxido de titânio (NP) podem promover o intravasamento e o extravasamento in vivo de células de câncer de mama ao destruir a barreira dos vasos sanguíneos.
[Imagem: Fei Peng et al. - 10.1038/s41565-018-0356-z]

Riscos da nanomedicina

As nanopartículas são encontradas em alimentos processados (aditivos alimentares, por exemplo), produtos de cuidados pessoais (cosméticos e filtros solares, por exemplo) e até mesmo em medicina.

Embora essas minúsculas partículas possam ter grande potencial e novas aplicações promissoras, elas também podem ter efeitos colaterais indesejáveis e prejudiciais, de acordo com pesquisadores da Universidade Nacional de Cingapura (NUS).

Especificamente, os pesquisadores descobriram que a nanomedicina do câncer, que é projetada para matar células cancerígenas, pode acelerar a metástase, o espalhamento do próprio câncer.

Usando o câncer de mama como modelo, David Leong e seus colegas descobriram que nanopartículas largamente utilizadas, feitas de ouro, dióxido de titânio, prata e dióxido de silício - todas também usadas em nanomedicina - aumentam a distância entre as células dos vasos sanguíneos, tornando mais fácil para outras células, como as células cancerígenas, entrarem e saírem desses vasos.

Vazamento endotelial

Nanopartículas podem induzir metástase do câncer
Quando as células dos vasos sanguíneos (esquerda) são tratadas com uma exposição a nanopartículas de dióxido de titânio por 30 minutos, as lacunas entre as células (direita) começam a se formar. Essas lacunas podem ser exploradas pelas células cancerígenas para migrar para fora do tumor primário ou da circulação sanguínea.
[Imagem: Fei Peng et al. - 10.1038/s41565-018-0356-z]

O fenômeno, batizado pela equipe de "vazamento endotelial induzido por nanomateriais" (NanoEL: Nanomaterials Induced Endothelial Leakiness), acelera o movimento das células cancerígenas do tumor primário e também faz com que as células cancerígenas circulantes escapem da circulação sanguínea.

Isso resulta em um estabelecimento mais rápido de um maior tumor local e inicia novos locais secundários, anteriormente não acessíveis às células cancerígenas - os tumores metastáticos.

Outros estudos já haviam mostrado que as nanopartículas dos protetores solares podem induzir o câncer de pele.

Nanopartículas aceleram câncer

"Para um paciente com câncer, a implicação direta das nossas descobertas é que a exposição pré-existente a longo prazo a nanopartículas - por exemplo, através de produtos cotidianos ou poluentes ambientais - pode acelerar a progressão do câncer, mesmo quando a nanomedicina não é administrada," explicou o professor David Leong.

"As interações entre esses nanomateriais minúsculos e os sistemas biológicos no corpo precisam ser levados em consideração durante o projeto e o desenvolvimento da nanomedicina do câncer. É crucial garantir que o nanomaterial que carrega o medicamento anticancerígeno não acelere involuntariamente a progressão do tumor. À medida que surgem novos avanços na nanomedicina, precisamos entender simultaneamente o que faz com que esses nanomateriais desencadeiem resultados inesperados," acrescentou.

O estudo foi publicado na revista científica Nature Nanotechnology.


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