12/11/2019

Não há necessidade de reduzir consumo de carnes, defendem cientistas

Redação do Diário da Saúde
Não há necessidade de reduzir consumo de carnes, defendem cientistas
Estas novas recomendações são surpreendentes porque a OMS afirma que carnes industrializadas são cancerígenas. E o churrasco apresenta riscos adicionais devido a elementos mutagênicos criados durante o preparo.
[Imagem: Heather Luis/USDA]

Surpreendente

Uma equipe internacional de cientistas, liderados por pesquisadores das universidades McMaster e Dalhousie (Canadá), concluíram que deixar de comer carne vermelha tem pouco impacto na saúde.

A maioria das pessoas pode continuar a comer carne vermelha e processada, afirmam eles.

O painel de cientistas revisou sistematicamente todas as evidências publicadas até agora e, de uma forma um tanto surpreendente, emitiu um parecer recomendando que a maioria dos adultos continue a comer carne vermelha e processada nos níveis atuais que costumam ingerir, uma vez que, segundo eles, não há indícios científicos indicando que isso faça mal à saúde.

Poucas evidências

Os dados usados agora vieram de ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais que analisaram o impacto da carne vermelha e do consumo de carne processada nos resultados cardiometabólicos e do câncer.

Em uma revisão de 12 estudos, envolvendo 54.000 pessoas, os cientistas afirmam não ter encontrado qualquer associação estatisticamente significativa ou importante entre o consumo de carne vermelha e o risco de doenças cardíacas, diabetes ou câncer.

Em três revisões sistemáticas de estudos de coorte, envolvendo vários milhões de pessoas, houve uma redução muito pequena no risco de doenças cardíacas, diabetes ou câncer entre as pessoas que consumiram três porções a menos de carne vermelha ou processada por semana, mas a associação não é conclusiva, dizem os cientistas.

Solidários

A equipe também fez uma quinta revisão sistemática, analisando as atitudes das pessoas e os valores relacionados à saúde em relação à ingestão de carnes vermelhas e processadas. Eles concluíram que as pessoas comem carne porque a consideram saudável, gostam do sabor e relutam em mudar sua dieta.

"Este não é apenas mais um estudo sobre carne vermelha e carne processada, mas uma série de revisões sistemáticas de alta qualidade, resultando em recomendações que julgamos muito mais transparentes, robustas e confiáveis," disse o Dr. Bradley Johnston.

"Nós nos concentramos exclusivamente em resultados de saúde, e não consideramos o bem-estar animal ou preocupações ambientais ao fazer nossas recomendações. No entanto, somos solidários com o bem-estar animal e preocupações ambientais com vários membros do painel de diretrizes, que eliminaram ou reduziram sua ingestão pessoal de carne vermelha e processada por esses motivos," acrescentou Johnston.

Por outro lado, uma pesquisa sueca, publicada há menos de dois meses, listou todos os males à saúde causados pela carne vermelha, igualmente com base em estudos científicos. Talvez fosse interessante colocar as duas equipes juntas em um painel de discussão, para que pudessem esclarecer as diferenças em suas conclusões.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Unprocessed Red Meat and Processed Meat Consumption: Dietary Guideline Recommendations From the Nutritional Recommendations (NutriRECS) Consortium
Autores: Bradley C. Johnston, Dena Zeraatkar, Mi Ah Han, Robin W.M. Vernooij, Claudia Valli, Regina El Dib, Catherine Marshall, Patrick J. Stover, Susan Fairweather-Taitt, Grzegorz Wójcik, Faiz Bhatia, Russell de Souza, Carlos Brotons, Joerg J. Meerpohl, Chirag J. Patel, Benjamin Djulbegovic, Pablo Alonso-Coello, Malgorzata M. Bala, Gordon H. Guyatt
Publicação: Annals of Internal Medicine
DOI: 10.7326/M19-1621

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