30/10/2017

Óleo de soja mais saudável pode ficar parecido com azeite

Com informações da Agência Fapesp
Óleo de soja mais saudável pode ficar parecido com azeite
Pesquisadores buscam marcadores genéticos que possibilitem aumentar o teor de ácido oleico no óleo de soja.
[Imagem: United Soybean Board/Wikimedia]

Ômega no óleo de soja

Um dos fatores que conferiram ao azeite de oliva a fama de "gordura do bem" foi sua alta concentração de ácido oleico (até 84% do total de ácidos graxos do produto). Também conhecido como ômega 9, trata-se de um ácido graxo monoinsaturado ao qual têm sido atribuídas propriedades anti-inflamatórias e a capacidade de reduzir o colesterol LDL.

No óleo de soja, muito mais usado pela população, esse nutriente também está presente, embora em quantidades mais modestas - em média 23% do total de ácidos graxos do produto.

Mas esse número poderá se tornar significativamente maior no futuro, graças a esforços de pesquisadores da Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos (SP), e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) em Piracicaba (SP).

"Aumentar o teor de ácido oleico no óleo de soja seria interessante não apenas para o consumo humano, como também para a produção de biodiesel. Por esse motivo, nosso projeto busca marcadores genéticos que possibilitem, por meio da seleção genômica, modificar o perfil de ácidos graxos do óleo de soja," disse a professora Regina Priolli.

Ácidos graxos no óleo de soja

Além do ácido oleico, outros quatro ácidos graxos são encontrados no óleo de soja.

O ácido palmítico (11% em média) e o ácido esteárico (4%) são gorduras saturadas - consideradas ruins para o sistema cardiovascular. Já o ácido linoleico, ou ômega 6, (54%) e o ácido linolênico, ou ômega, 3 pertencem ao grupo das gorduras poli-insaturadas - consideradas boas para a saúde - e estão associados às características de sabor do óleo de soja.

"Por meio de melhoramento genético poderíamos, por exemplo, diminuir o teor de ácido palmítico e aumentar o de ácido oleico. Mas é preciso encontrar uma proporção ideal, pois teores desbalanceados destes ácidos graxos fariam com que o óleo endurecesse em temperaturas baixas," conta a pesquisadora.

Ela já cultivou 96 diferentes linhagens de plantas de diversas partes do mundo, durante dois anos. O estudo prossegue, sendo que um dos principais desafios tem sido alterar o perfil dos ácidos graxos sem diminuir a quantidade de proteína presente na soja - 40% em média.

"A soja é uma das principais fontes de proteína e óleo vegetal do mundo. A correlação negativa entre esses dois nutrientes no grão dificulta o aumento simultâneo de ambos. Por esse motivo, elevar a qualidade do óleo modulando a composição de ácidos graxos pode ser a saída para o melhoramento da soja," afirmou Regina.

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