
Onco-neurologia versus Neuro-oncologia
Médicos e cientistas da área de saúde estão lançando uma nova especialidade, a onco-neurologia, uma área multidisciplinar cuja proposta é mudar a compreensão e a gestão das interações complexas e frequentemente subestimadas entre os tumores e o sistema nervoso.
Ao contrário da neuro-oncologia tradicional, que se concentra principalmente nos efeitos diretos dos tumores, como a invasão ou compressão de estruturas neurais, o cerne da onco-neurologia deverá estar na elucidação dos processos fisiopatológicos pelos quais os tumores induzem disfunção neurológica - são mecanismos não metastáticos complexos, mas ainda muito pouco compreendidos porque não lhes tem sido dada a atenção que merecem.
A onco-neurologia abrange três domínios fundamentais e interconectados. O primeiro são as síndromes neurológicas paraneoplásicas, um grupo de distúrbios em que os efeitos remotos do tumor, mediados por respostas imunes ou fatores secretados, manifestam-se como sintomas neurológicos. Essas síndromes frequentemente precedem o diagnóstico do próprio câncer, servindo como sinais de alerta precoce cruciais.
O segundo domínio envolve lesões neurológicas iatrogênicas (alterações patológicas provocadas no paciente pelo tratamento) que surgem como complicações de procedimentos diagnósticos ou terapêuticos destinados ao tratamento do tumor. Essas lesões podem variar desde traumas físicos durante biópsias até défices neurológicos induzidos por radiação ou quimioterapia.
O terceiro domínio concentra-se nas disfunções neurológicas desencadeadas por fatores secretados pelo tumor, como hormônios, citocinas ou exossomos, que podem interromper a sinalização e a função neural mesmo na ausência de invasão tumoral direta.
Abordagem holística centrada no paciente
Um dos principais pontos que justificam a onco-neurologia está na abordagem holística e centrada no paciente. Ao integrar o conhecimento da neurologia, oncologia, radiologia, patologia e outras especialidades, ela poderá permitir uma avaliação abrangente e um plano de tratamento personalizado para a condição única de cada paciente.
Essa colaboração multidisciplinar pretende garantir que todos os aspectos do cuidado do paciente sejam coordenados, desde o diagnóstico preciso até a implementação de estratégias de tratamento personalizadas. A detecção precoce de marcadores de anticorpos específicos e outros biomarcadores desempenha um papel fundamental na orientação de terapias direcionadas e no monitoramento da resposta ao tratamento.
Segundo os cientistas, a pesquisas em onco-neurologia já avançam nos campos da biologia molecular, imunologia e neurociência, proporcionando informações sem precedentes sobre os mecanismos subjacentes à disfunção neurológica induzida pelos tumores. A expectativa é que isso ajude a fazer a transição dos cuidados, deixando de tratar apenas os sintomas em direção a tratamentos baseados na medicina de precisão.
Com o advento de tecnologias de ponta, como o sequenciamento de nova geração, biópsias líquidas e neuroimagem avançada, os médicos poderão diagnosticar e tratar complicações neurológicas relacionadas a tumores com precisão e personalização sem precedentes. Seria o início de uma nova era em que a onco-neurologia teria o papel central ao viabilizar intervenções personalizadas, na melhoria dos prognósticos e, em última análise, na promoção do bem-estar dos pacientes afetados por desafios neurológicos relacionados a tumores.
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