13/08/2020

Percepção de objetos físicos comuns varia de pessoa para pessoa

Redação do Diário da Saúde
Percepção de objetos físicos comuns varia de pessoa para pessoa
É o segundo estudo em poucas semanas que conclui que nós não vemos o mundo objetivamente.
[Imagem: JHU]

Impressão digital visual

Nós, humanos, nem sempre estamos de acordo na política, na religião, nos esportes ou em outros assuntos propensos a discussões e polêmicas.

Mas, pelo menos podemos estar certos de que concordamos com assuntos mais precisos e objetivos, como a localização e o tamanho dos objetos físicos ao nosso redor.

Mas será que podemos mesmo estar tão certos de não haver discussões nessas questões?

Definitivamente não, garantem Zixuan Wang e colegas da Universidade de Berkeley (EUA), acrescentando que não existe algo como uma "percepção objetiva das coisas".

"Nós assumimos que nossa percepção é um reflexo perfeito do mundo físico ao nosso redor, mas este estudo mostra que cada um de nós tem uma impressão digital visual única," disse Wang.

Distorção perceptiva

Os pesquisadores se propuseram a descobrir se pessoas diferentes veem objetos ao seu redor exatamente da mesma maneira. Por exemplo, ao olhar para uma xícara de café em uma mesa, duas pessoas podem concordar com sua posição exata e se a alça é grande o suficiente para segurar?

O resultado de uma série de experimentos sugere que não.

Na primeira tarefa de testar a localização visual, os participantes identificavam na tela do computador a localização de um alvo circular. Em outro experimento, analisando variações de acuidade dentro do campo de visão de cada pessoa, os participantes visualizavam duas linhas a uma distância mínima uma da outra e precisavam indicar se uma linha estava localizada no sentido horário ou anti-horário em relação à outra linha.

E, em um experimento para medir a percepção do tamanho, os participantes visualizavam uma série de arcos de vários comprimentos e deviam estimar seus comprimentos.

Surpreendentemente, as pessoas perceberam, exatamente os mesmos arcos, como sendo maiores em alguns locais do seu campo visual e menores em outros locais.

Visão subjetiva de tudo

No geral, os resultados mostraram variações notáveis no desempenho visual entre o grupo e até dentro do campo de visão de cada indivíduo. Os dados foram mapeados para mostrar o que os pesquisadores chamam de "impressão digital visual" exclusiva de cada participante.

"Embora nosso estudo possa sugerir que a fonte de nossas deficiências visuais possa se originar em nosso cérebro, novas investigações são necessárias para descobrir a base neural disso," disse Wang. "O importante também é como nos adaptamos a elas e compensamos nossos erros".

Segundo a equipe, a descoberta que eles fizeram tem ramificações práticas para áreas tão diferentes quanto a medicina, a tecnologia, o jeito de dirigir um carro e os esportes, entre outros campos em que a localização visual precisa é crítica.

Por exemplo, um motorista que faz um pequeno erro de cálculo sobre a localização de um pedestre que atravessa a rua pode causar uma catástrofe. Enquanto isso, nos esportes, um erro de julgamento visual pode levar a controvérsias, quando não a uma derrota na disputa de um campeonato.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Idiosyncratic perception: a link between acuity, perceived position and apparent size
Autores: Zixuan Wang, Yuki Murai, David Whitney
Publicação: Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences
DOI: 10.1098/rspb.2020.0825
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