22/01/2020

Descoberta explica o perigo de determinados medicamentos biológicos

Redação do Diário da Saúde
Descoberta explica o perigo de determinados medicamentos biológicos
As células dendríticas têm sua própria forma de programa de memória, que depende de uma molécula de sinalização imune conhecida como TNF-alfa.
[Imagem: Stephanie King]

Riscos dos medicamentos biológicos

Distúrbios autoimunes, como artrite reumatoide, psoríase e doença de Crohn, afligem dezenas de milhões de pessoas e são o resultado de o sistema imunológico, cujo papel é combater os patógenos causadores de doenças, voltar-se contra si mesmo.

A notícia não tão boa é que, apesar de vários medicamentos projetados para combater essas doenças já estarem disponíveis, essas drogas, uma classe de produtos biológicos chamados inibidores de TNF, trazem consigo o risco de infecções graves e até de câncer.

Já a notícia bem melhor é que pesquisadores podem ter descoberto o porquê desses efeitos colaterais tão danosos: Uma função anteriormente desconhecida de um tipo específico de célula imune, as chamadas células dendríticas.

As células dendríticas fazem parte da rede imune inata, a primeira linha de defesa do corpo contra uma ameaça. Elas ajudam outro tipo de célula imunológica, chamada célula T, que faz parte do sistema imunológico adaptativo, a aprender a responder adequadamente a um determinado germe ou agente causador de doença.

TNF-alfa

Agora os pesquisadores descobriram que as células dendríticas têm sua própria forma de memória e dependem de uma molécula de sinalização imune já conhecida, chamada TNF-alfa, que causa a inflamação tão dolorosamente familiar àqueles com artrite e outras doenças autoimunes.

"As células dendríticas são o principal orquestrador da resposta imune, dizendo às outras células do sistema imunológico o que fazer," explica o professor Michal Olszewski, da Universidade de Michigan (EUA). "Nossos estudos descobriram que o TNF-alfa faz parte do sistema que programa as células dendríticas para que elas saibam como programar as células T."

O TNF-alfa é especialmente importante para ajudar as células dendríticas a ensinar as células T a combater infecções, como certas infecções fúngicas e a tuberculose, que podem se esconder dentro das células do corpo.

É por isso que as pessoas que tomam esses medicamentos autoimunes estão particularmente em risco.

Além disso, a equipe descobriu que a programação das células dendríticas depende do rápido desenvolvimento de alterações epigenéticas, proporcionando estabilidade à programação das células dendríticas conferida às células T. Essa descoberta tem implicações importantes para o desenvolvimento de terapias direcionadas ao sistema imunológico.

"Isso será importante para o desenvolvimento de vacinas, para entender como o sistema imunológico responde a infecções crônicas e por que as pessoas que tomam anti-TNF para tratamento de doenças autoimunes são particularmente vulneráveis a esse tipo de doença," finalizou Olszewski.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Epigenetic stabilization of DC and DC precursor classical activation by TNFa contributes to protective T cell polarization
Autores: Alison J. Eastman, Jintao Xu, Jennifer Bermik, Nicole Potchen, Aaron den Dekker, Lori M. Neal, Guolei Zhao, Antoni Malachowski, Matt Schaller, Steven Kunkel, John J. Osterholzer, Ilona Kryczek, Michal A. Olszewski
Publicação: Science Advances
Vol.: 5, no. 12, eaaw9051
DOI: 10.1126/sciadv.aaw9051

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