07/01/2020

Pesquisa estabelece novos parâmetros para exames laboratoriais

Com informações da Fiocruz
Pesquisa estabelece novos parâmetros para exames laboratoriais
É baixo entre os brasileiros o conhecimento sobre quais alimentos têm alto teor de sal.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Parâmetros para exames

Brasileiros consomem, em média, 9,34 gramas de sal por dia - quase o dobro do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 5 gramas.

Esta é apenas uma das principais conclusões de um levantamento inédito no país: a análise de sangue e de urina de cerca de 9 mil brasileiros, realizada pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), coordenada pela Fiocruz.

E não é só uma curiosidade: os dados serão utilizados para o estabelecimento de parâmetros nacionais para valores de referência dos exames feitos em laboratórios do país e para avaliação de parâmetros de saúde pública.

A coleta direta de dados é importante para levar em conta as características e condições de saúde da população brasileira, uma vez que os valores de referência podem ser influenciados por fatores populacionais e ecológicos, como idade, sexo, raça, nível socioeconômico, exposição a agentes químicos, físicos e biológicos.

"O Brasil é marcado pela miscigenação, com uma grande diversidade de raças, etnias, povos, segmentos sociais e econômicos. A análise dos exames de sangue e urina oferece, pela primeira vez, uma amostra representativa do país, que permitiu a obtenção de valores hematológicos de referência por sexo, grupos etários e raça/cor. E o conhecimento de parâmetros nacionais de referência é fundamental para o estabelecimento de critérios de diagnóstico, tratamento e controle de doenças," destacou a pesquisadora Célia Landmann Szwarcwald, coordenadora técnica da pesquisa.

Os resultados desses exames de laboratório possibilitam monitorar os indicadores globais da Organização Mundial de Saúde e da Organização das Nações Unidas, dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável - Agenda 2030, e do Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas no Brasil, compondo uma linha de base para o monitoramento de indicadores globais e do alcance de metas, tais como deter o crescimento do diabetes e das doenças cardiovasculares, reduzir o consumo de sal e diminuir a mortalidade prematura por doenças crônicas não transmissíveis.

Sal, diabetes e rins

A pesquisa permitiu que o consumo de sal na sociedade brasileira fosse medido objetivamente, algo que nunca havia sido feito antes em abrangência nacional. Os dados apontam que praticamente três quartos dos brasileiros têm consumo alto de sal (mais de 8 gramas por dia), sendo maior em homens e nos mais jovens, mas apenas 14,2% dos adultos reconhecem o seu consumo de sal como alto.

Já o diabetes foi identificado em 6,6% dos adultos, enquanto em 76,5% não foi encontrada qualquer alteração. Mas, considerando-se critérios simultâneos - incluindo as pessoas que referiram ter diagnóstico de diabetes e/ou fazem uso de medicamentos - a prevalência do diabetes é de 8,4%, porque esta proporção inclui as pessoas que estão com a doença controlada. Há alta prevalência do diabetes na população obesa, alcançando um nível de 17%.

A pesquisa é ainda o primeiro estudo nacional a apresentar avaliação de função renal da população adulta brasileira por meio de critérios laboratoriais. O resultado é surpreendente: as estimativas de número de casos foram até quatro vezes maiores se comparadas com outras pesquisas já realizadas no país. Isso porque os estudos anteriores foram baseados principalmente nos relatos dos próprios doentes. Dessa forma, o levantamento sugere que há um subdiagnóstico da doença renal no país.


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