27/06/2022

Por que os humanos não fazemos escolhas ideais?

Redação do Diário da Saúde
Por que os humanos não fazemos escolhas ideais?
Já se demonstrou largamente que a racionalidade dos agentes econômicos é um mito, mas os economistas continuam se fundamentando nessa teoria.
[Imagem: Sophie Janotta/Pixabay]

Teoria para robôs

A primeira lição que todo estudante de economia aprende na faculdade é que os bens são escassos e que as pessoas fazem escolhas entre quais desses bens irá comprar, sempre tendo todas as informações de que necessita para isso.

Como todos tomariam a decisão mais racional, a partir daí a "mão invisível" do mercado faria com que toda a economia atingisse seu "nível ótimo".

Só que, na realidade, não é assim.

Para tentar mudar esses fundamentos, uma nova teoria da tomada de decisões econômicas propõe uma explicação de por que os humanos, em geral, tomam decisões que não são ideais, ou não são "ótimas", como os economistas dizem.

Rattaphon Wuthisatian e seus colegas do Instituto Rennselaer (EUA) afirmam que as pessoas podem usar proporções em sua tomada de decisão, quando "deveriam usar" apenas diferenças absolutas. O inverso também é possível.

Para explicar essa "anomalia comportamental", a equipe desenvolveu uma teoria de razão-diferença que dá peso às comparações para tentar capturar com mais precisão a maneira pela qual um tomador de decisão racionalmente limitado pode distinguir se uma alternativa é melhor que outra.

"A resolução eficaz de alguns problemas econômicos exige que se pense em termos de diferenças, enquanto outros exigem que se pense em termos de proporções. Como ambos os tipos de pensamento são necessários, é razoável pensar que as pessoas desenvolvem e aplicam os dois tipos. No entanto, também é razoável esperar que as pessoas apliquem mal os dois tipos de pensamento, especialmente quando menos experientes com o contexto," disse o professor Mina Mahmoudi, coordenador da equipe.

Teoria para pessoas

Experimentos curiosos, feitos por outras equipes, mostrararam que, quando tinham a oportunidade de economizar, por exemplo, US$ 5 em um item de US$ 25 ou em um item de US$ 500, as pessoas em geral se esforçavam mais para economizar dinheiro no produto de custo mais baixo do que no item mais caro - elas acreditavam que estavam fazendo um negócio melhor porque a relação entre custo e economia é maior.

Na verdade, os $ 5 economizados são os mesmos para ambos os itens e a escolha perfeita, ou ideal, seria olhar para as economias absolutas e trabalhar igualmente duro para economizar cada $ 5. As pessoas deveriam usar as diferenças para resolver esse problema, mas muitas parecem tomar decisões desarrazoadas porque aplicam o pensamento relativo (de razões).

"Compreender como as características cognitivas e motivacionais dos seres humanos e os procedimentos operacionais das organizações influenciam o funcionamento dos sistemas econômicos é de fundamental importância," disse Mahmoudi. "Muitos comportamentos econômicos - como a imitação - ocorrem e muitas instituições econômicas - como estoques - existem porque as pessoas não podem maximizar ou porque os mercados não estão em equilíbrio. Nosso modelo fornece um exemplo de comportamento que ocorre porque as pessoas não podem maximizar."

Segundo a equipe, este modelo pode ser aplicado a uma variedade de experimentos econômicos comportamentais, da indústria de jogos de azar aos mercados financeiros, também fortemente fundamentados em "apostas".

Checagem com artigo científico:

Artigo: A Ratio-Difference Theory of Choice: An Article Written to Honor Richard Hollis Day
Autores: Rattaphon Wuthisatian, Mark Pingle, Mina Mahmoudi
Publicação: Review of Behavioral Economics
Vol.: 9: No. 2, pp 155-171
DOI: 10.1561/105.00000151
Cheque você mesmo: https://www.nowpublishers.com/RBE
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