Proteína de planta brasileira inibe progressão do câncer

Proteína de planta brasileira inibe progressão do câncer
Proteína de planta brasileira inibe progressão do câncer de mama triplo-negativo e melanoma, além de combater inflamações e trombose.
[Imagem: Steve Hurst/USDA-NRCS PLANTS Database/Wikimedia]

Orelha-de-macaco

Uma proteína extraída de sementes da árvore tamboril ou orelha-de-macaco (Enterolobium contortisiliquum) está-se tornando a esperança para o tratamento de algumas das formas mais agressiva do câncer.

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) constataram que a proteína extraída da planta é capaz de inibir a migração e a metástase de câncer de mama triplo-negativo e de outros tipos de tumor, como o gástrico e o de pele (melanoma).

Um dos tumores mais agressivos e para o qual houve menos avanços no desenvolvimento de terapias nos últimos anos, o câncer de mama triplo-negativo ainda não conta com um tratamento específico e um agente que consiga combatê-lo.

"Constatamos que a proteína inibe a invasão, a proliferação e a metástase de tumor de mama triplo-negativo em testes in vitro [em células] e, no caso do melanoma, tanto em modelo in vitro como in vivo [em animais]," contou a professora Maria Luiza Vilela Oliva.

Inflamações e trombose

Denominada Enterolobium contortisiloquum inibidor de tripsina (EcTI, na sigla em inglês), a proteína foi isolada por Maria Luiza durante seu curso de doutoramento.

A partir daquela época a pesquisadora começou a tentar isolar de sementes de leguminosas da flora brasileira outras moléculas inibidoras de proteases - enzimas capazes de quebrar as ligações peptídicas de outras proteínas. Essas enzimas estão envolvidas em diversos processos biológicos, como inflamação, hemostasia (prevenção e interrupção de sangramentos e hemorragias), trombose e desenvolvimento tumoral, além de outros processos que envolvem microrganismos patológicos.

"Temos estudado os efeitos fisiopatológicos dessas proteínas isoladas de leguminosas em alguns tipos de câncer na tentativa de descobrir novos agentes que possam, se não curar, ao menos ajudar a entender a patologia dessas doenças," afirmou.

As análises dessas moléculas em diferentes modelos fisiopatológicos, como de inflamação, trombose e tumor, indicaram que, além de antitumoral, elas apresentam propriedades anti-inflamatória, antimicrobiana e antitrombótica.

"O tumor, a inflamação e a trombose são patologias que estão de certa forma interligadas, porque às vezes o paciente com câncer pode morrer não por causa da doença, em si, mas em decorrência de um quimioterápico que pode levar ao desenvolvimento de uma trombose," explicou a pesquisadora.


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