06/10/2020

Para seguir o ritmo, seu cérebro sincroniza com a música

Redação do Diário da Saúde
Seguir o ritmo, seu cérebro precisa sincronizar com a música
"Ficamos surpresos que mesmo músicos altamente treinados às vezes mostravam capacidade reduzida de sincronizar com ritmos complexos."
[Imagem: McGill University]

Seguir o ritmo da música

Como as pessoas coordenam suas ações com os sons que ouvem?

Essa habilidade básica, que permite às pessoas dançar ao som de novas músicas, atravessar a rua com segurança monitorando o som do tráfego ou participar de esportes de equipe, como o remo, confunde os neurocientistas cognitivos há anos.

Agora, pesquisadores da Universidade McGill (Canadá) fizeram descobertas importantes sobre como a percepção auditiva e os processos motores funcionam juntos.

Eles identificaram marcadores neurais para a percepção que os músicos têm da "batida" da música.

Surpreendentemente, esses marcadores não correspondem à capacidade do músico de ouvir ou produzir um ritmo, mas apenas à sua capacidade de sincronizar com ela.

"Os pesquisadores, todos músicos atuantes, estão familiarizados com situações musicais nas quais um artista não está alinhado corretamente no tempo com seus companheiros - então estávamos interessados em explorar como o cérebro do músico responde aos ritmos. Pode ser que algumas pessoas sejam melhores músicos porque ouvem de forma diferente, ou pode ser que movam seus corpos de maneira diferente," explica a professora Caroline Palmer, coordenadora da equipe.

Sincronização: Exceção ou uma habilidade aprendida?

Os pesquisadores usaram a eletroencefalografia (EEG) para medir a atividade cerebral enquanto os participantes do experimento, todos eles músicos experientes, sincronizavam suas batidas com uma gama de ritmos musicais que ouviam.

Ao fazer isso, eles foram capazes de identificar marcadores neurais das percepções de batida dos músicos que correspondiam à sua capacidade de sincronizar bem com o ritmo ouvido.

"Descobrimos que a resposta era uma combinação entre a pulsação ou oscilação dos ritmos cerebrais e a pulsação do ritmo musical. Não é apenas ouvir ou se movimentar, é uma ligação entre o ritmo cerebral e o ritmo auditivo," disse Palmer.

"Ficamos surpresos que mesmo músicos altamente treinados às vezes mostravam capacidade reduzida de sincronizar com ritmos complexos, e que isso se refletia em seus EEGs," disseram Brian Mathias e Anna Zamm, membros da equipe. "A maioria dos músicos são bons sincronizadores; no entanto, esse sinal era sensível o suficiente para distinguir o 'bom' do 'melhor', ou 'super-sincronizadores', como às vezes os chamamos."

Não está claro se alguém pode se tornar um super-sincronizador, mas será que é possível melhorar a própria capacidade de sincronização?

"A variedade de músicos que amostramos sugere que a resposta seria sim. E o fato de apenas 2-3% da população ser 'surda para ritmos' também é encorajador. A prática definitivamente melhora sua habilidade e melhora o alinhamento dos ritmos cerebrais com os ritmos musicais. Mas se todo mundo vai ser tão bom como baterista, isso não está claro," concluiu Palmer.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Rhythm Complexity Modulates Behavioral and Neural Dynamics During Auditory–Motor Synchronization
Autores: Brian Mathias, Anna Zamm, Pierre G. Gianferrara, Bernhard Ross, Caroline Palmer
Publicação: Journal of Cognitive Neuroscience
Vol.: 32 , No. 10
DOI: 10.1162/jocn_a_01601
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