27/06/2019

Sensor com molécula do ferrão de abelha detecta bactérias em alimentos e bebidas

Com informações da Agência Fapesp
Sensor com molécula do ferrão de abelha detecta bactérias em alimentos e bebidas
Sensor usa molécula do ferrão de abelha para detectar bactérias em alimentos e bebidas, identificando a presença de diferentes patógenos de forma mais rápida e com menor custo do que os métodos tradicionais.
[Imagem: Deivy Wilson Masso]

Sensor com melitina

Uma molécula obtida do ferrão de abelhas deu origem a um biossensor que promete detectar bactérias em alimentos e bebidas de forma mais rápida e com menor custo do que os métodos tradicionais.

Enquanto os métodos tradicionais exigem a análise de todo o volume de alimento ou bebida, algo que pode levar entre 24 e 72 horas, o biossensor detecta bactérias em uma amostra muito pequena e apresenta os resultados entre 10 e 25 minutos depois.

O dispositivo foi desenvolvido por Deivy Wilson Masso e colegas do Instituto de Física da USP em São Carlos, da Embrapa e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

O sensor consiste em um filme com eletrodos de prata - um material condutor de eletricidade - e partículas magnéticas em escala nanométrica (bilionésima parte do metro), recobertas com melitina. Esse peptídeo, extraído do ferrão de abelhas, interage especificamente com bactérias.

Ao ser introduzido em uma amostra, as nanopartículas magnéticas recobertas com a melitina atraem e capturam as bactérias. Ao empregar um ímã os microrganismos ficam concentrados nas nanopartículas, que são depois depositadas nos eletrodos de prata.

A interação entre as bactérias e as nanopartículas magnéticas recobertas com melitina depositadas nos eletrodos gera um sinal elétrico. A intensidade do sinal permite quantificar a colônia e identificar que tipos de microrganismos estão presentes na amostra analisada.

Bactérias na água e no suco de maçã

Os pesquisadores avaliaram o desempenho do biossensor para detectar as bactérias Escherichia coli (E. coli), Staphylococcus aureus (S. aureus) e Salmonella typhimurium (S. typhi) em amostras de água potável e de suco de maçã.

Os resultados dos testes indicaram que o dispositivo foi capaz de detectar a concentração de E. coli em 1 unidade formadora de colônia (UFC/ml) na água potável e em 3,5 UFC/ml no suco de maçã em apenas 25 minutos.

A tecnologia do biossensor está em fase de patenteamento e os materiais são de baixo custo. Quando produzido em escala comercial, a expectativa é que seu custo seja de apenas cerca de R$ 0,30.

A ideia dos pesquisadores é que, por meio de algumas adaptações, o dispositivo também possa ser usado para detectar contaminações em ambientes hospitalares, como enfermarias e salas de cirurgia, e em instrumentos e equipamentos usados nesses locais.


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