Transtorno Dismórfico Corporal: o mal da selfies perfeitas

Transtorno Dismórfico Corporal: o mal da selfies perfeitas
O transtorno dismórfico corporal é mais comum entre adolescentes e jovens.
[Imagem: CC0 Creative Commons/Pixabay]

Obsessão com a aparência

Com a disseminação da tecnologia de edição de fotos por meio de aplicativos como o Snapchat e o Facetune, o nível de "perfeição" física antes visto apenas em revistas de celebridades ou de beleza está agora em todas as mídias sociais.

À medida que essas imagens se tornam a norma, as percepções de beleza das pessoas em todo o mundo estão mudando, o que pode prejudicar a autoestima de uma pessoa e desencadear o transtorno dismórfico corporal.

Este é o alerta da professora Neelam Vashi, da Universidade de Boston.

O transtorno dismórfico corporal (TDC) é uma preocupação excessiva com uma "falha" na aparência - real ou imaginada -, muitas vezes levando as pessoas a grandes esforços, muitas vezes com elevado risco, para esconder suas imperfeições.

Isso pode incluir o envolvimento em comportamentos repetitivos, como cutucar a pele (dermatilomania) e procurar dermatologistas ou cirurgiões plásticos para mudar a aparência. O distúrbio é classificado no espectro obsessivo-compulsivo.

Melhorar a aparência em selfies

A Dra Vashi e seus alunos analisaram meninas adolescentes que manipularam suas fotos por uma preocupação com a aparência corporal.

O que eles verificaram é que as adolescentes com imagem corporal dismórfica procuram as mídias sociais como um meio de validação. Pesquisas adicionais mostraram que 55% dos cirurgiões plásticos relatam ter sido consultados por pacientes que querem melhorar sua aparência em selfies.

"Está emergindo um novo fenômeno chamado 'dismorfia do Snapchat', onde os pacientes estão procurando uma cirurgia para ajudá-los a aparecer como as versões filtradas de si mesmos," disse Vashi.

Segundo a equipe, a cirurgia não é o melhor curso de ação nesses casos, porque não melhorará e poderá piorar o TDC (transtorno dismórfico corporal) subjacente.

A recomendação é para que se adotem intervenções psicológicas, como a terapia cognitivo-comportamental, e lidar com o transtorno de maneira empática e sem julgamento.

"Selfies filtradas podem fazer as pessoas perderem contato com a realidade, criando a expectativa de que devemos estar perfeitamente preparadas o tempo todo," disse Vashi. "Isso pode ser especialmente prejudicial para adolescentes e pessoas com TDC, e é importante que os profissionais entendam as implicações das mídias sociais na imagem corporal para melhor tratar e aconselhar nossos pacientes".


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