17/08/2020

Tratamentos para colesterol ruim não reduzem risco de doenças cardíacas

Redação do Diário da Saúde
Tratamentos para colesterol ruim não reduzem risco de doenças cardíacas
Estudos já confirmaram que o "ruim" do colesterol LDL depende da sua composição e até mesmo que os exames de colesterol ruim dão resultados ruins.
[Imagem: LipoSearch/Divulgação]

Tratamentos para controlar LDL

Definir metas para níveis "adequados" do chamado colesterol ruim (LDL, ou lipoproteína de baixa densidade) para evitar doenças cardíacas e morte pode parecer intuitivo e razoável, principalmente para pessoas que apresentam outros riscos para essas condições.

Décadas de pesquisa, no entanto, não mostraram nenhum benefício consistente para essa abordagem, revela uma análise dos estudos científicos sobre o assunto, realizada pelo Dr. Robert DuBroff e colegas da Universidade do Novo México (EUA), Escola Baiana de Medicina (Brasil) e Universidade de Grenoble (França).

Na verdade, essa abordagem não consegue identificar muitos daqueles pacientes com alto risco e ainda inclui nos tratamentos muitos pacientes com baixo risco, que não precisam de tratamento, dizem os pesquisadores, questionando a validade dessa estratégia, usada mundialmente, de alvejar o colesterol ruim.

Redução do colesterol LDL

Os medicamentos para baixar o colesterol são prescritos hoje para milhões de pessoas em todo o mundo, seguindo as diretrizes clínicas das autoridades de saúde.

Essas diretrizes consideram o risco de doença cardiovascular futura de moderado a alto para as pessoas com problemas já diagnosticados de saúde cardiovascular; aqueles com níveis de colesterol LDL de 190 mg/dl ou mais; adultos com diabetes; e aqueles cujo risco estimado é de 7,5% ou mais nos próximos 10 anos, com base em vários fatores contribuintes, como idade e histórico familiar.

Contudo, embora a redução do colesterol LDL seja uma parte estabelecida do tratamento preventivo e apoiada por um corpo substancial de experimentos, a abordagem nunca foi devidamente validada, dizem os pesquisadores.

Eles então fizeram uma revisão sistemática de todos os ensaios clínicos publicados até hoje, pegando os tratamentos com um dos três tipos de medicamentos para redução do colesterol (estatinas; ezetimiba; PCSK9) e comparando-os com o cuidado usual ou medicamentos simulados (placebo), por um período de pelo menos um ano, em pacientes em risco.

Inconsistência

A análise mostrou que mais de três quartos de todos os ensaios clínicos não relataram impacto positivo no risco de morte e quase metade não relatou impacto positivo no risco de doenças cardiovasculares futuras.

E a quantidade de redução do colesterol LDL alcançada não correspondeu ao tamanho dos benefícios resultantes, ou seja, mesmo mudanças muito pequenas no colesterol LDL se mostraram às vezes associadas a grandes reduções no risco de morte ou eventos cardiovasculares e vice-versa.

Treze dos ensaios clínicos cumpriram a meta de redução do colesterol LDL, mas apenas 1 relatou um impacto positivo no risco de morte; 5 relataram uma redução no risco de "eventos". Entre os 22 ensaios que não atingiram a meta de redução do LDL, quatro relataram um impacto positivo no risco de morte, enquanto 14 relataram uma redução no risco de eventos cardiovasculares.

Esse nível de inconsistência foi evidente para todos os três tipos de medicamentos redutores do colesterol LDL.

"Considerando que dezenas de [ensaios clínicos randomizados] de redução do colesterol LDL não conseguiram demonstrar um benefício consistente, devemos questionar a validade desta teoria. Na maioria dos campos da ciência, a existência de evidências contraditórias geralmente leva a uma mudança de paradigma ou a uma modificação da teoria em questão, mas neste caso a evidência contraditória foi amplamente ignorada, simplesmente porque não se encaixa no paradigma vigente," escreveram os pesquisadores.

Exame de colesterol ruim dá resultados ruins

Checagem com artigo científico:

Artigo: Hit or miss: the new cholesterol targets
Autores: Robert DuBroff, Aseem Malhotra, Michel de Lorgeril
Publicação: Evidence-Based Medicine
DOI: 10.1136/bmjebm-2020-111413
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