
Por que?
Incentivar as pessoas a se vacinarem é frequentemente visto como uma história de sucesso em saúde pública. No entanto, chamou a atenção como parte da população se rebelou contra as vacinas durante a pandemia de covid-19, com atitudes que geraram divisões sociais e conflitos.
Cientistas da Universidade de Osaka (Japão) se propuseram então a tentar compreender melhor a relação entre as mensagens sobre a vacinação e a harmonia social.
Os resultados indicam que justificativas comuns usadas para promover a vacinação podem ter efeitos colaterais inesperados e danosos, agravando a hostilidade entre pessoas a favor e contra a vacinação. Isto mostra que os especialistas em saúde e o governo precisam refazer seus argumentos para que a vacinação volte a ter o apoio universal que vinha tendo há mais de um século e que conseguiu erradicar grande número de doenças graves.
A equipe realizou quatro pesquisas online repetidas, envolvendo mais de 13.000 adultos de oito países: Japão, Reino Unido, Estados Unidos, China, Coreia do Sul, Alemanha, Itália e África do Sul. Os participantes foram questionados sobre seus motivos para apoiar ou não a vacinação, sua intenção de se vacinarem no futuro e seus sentimentos em relação a pessoas que tinham opiniões contrárias.

Desequilíbrio
Os resultados mostraram um desequilíbrio surpreendente: Uma maior intenção de vacinação e o apoio à promoção da vacinação estão associados a ideias de autoproteção, prevenção de danos a terceiros, proteção da sociedade como um todo e respeito às normas sociais. Contudo, essas mesmas ideias também foram associadas a atitudes mais negativas em relação a pessoas que discordavam da vacinação, particularmente entre aqueles que já a apoiavam.
"Quando as pessoas encaram a vacinação como um dever moral ou uma responsabilidade coletiva, aqueles que optam por não se vacinar podem passar a ser vistos como irresponsáveis ou ameaçadores. Essa percepção pode alimentar conflitos sociais, mesmo depois que a crise sanitária imediata tiver passado," explicou a pesquisadora Asako Miura.
"A comunicação em saúde pública muitas vezes parte do pressuposto de que argumentos morais ou sociais mais fortes são sempre melhores," comentou o professor Tomoyuki Kobayashi. "Nossos resultados mostram que essas mensagens podem ser uma faca de dois gumes. Elas motivam a ação, mas também podem aprofundar as divisões sociais."

Punições por não se vacinar
Curiosamente, houve uma exceção: A possibilidade de penalidades por não se vacinar não influenciou a intenção de se vacinar, mas as consequências legais reduziram a hostilidade em relação àqueles com opiniões contrárias sobre a vacinação.
É algo como "Se ele já foi punido, não preciso odiá-lo". "Esta foi uma descoberta surpreendente," disse Miura. "Embora as penalidades sejam controversas, elas podem reduzir o ressentimento interpessoal ao abordar questões de justiça, em vez de atribuir culpa moral aos indivíduos."
A conclusão geral da equipe é que as mensagens de saúde pública precisam ir além do simples incentivo à vacinação. Consequências a longo prazo, como a fragmentação social, também devem ser consideradas para preparar a população para responder adequadamente a futuros surtos de doenças infecciosas.
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