30/04/2021

HDL: Não é só quantidade, é preciso medir capacidade anti-inflamatória

Redação do Diário da Saúde
Não é só quantidade: É preciso medir capacidade anti-inflamatória do HDL
Cientistas têm argumentado que os benefícios do colesterol bom foram exagerados - de fato, pesquisas mostram que "colesterol bom" demais ou de menos pode causar morte prematura.
[Imagem: Arek Socha/Pixabay]

Função anti-inflamatória do HDL

Um exame mais detalhado do chamado "colesterol bom" pode ajudar a prever quem está sob risco elevado de desenvolver doenças cardiovasculares causadas por estreitamento das artérias.

Isso não parece novidade, uma vez que avaliar os níveis do colesterol HDL (lipoproteína de alta densidade), conhecido como "colesterol bom", já faz parte das fórmulas usadas para prever o risco cardiovascular.

Mas um novo teste avalia a função anti-inflamatória do HDL, o que traz informações adicionais que independem da quantidade de HDL no sangue, que é o método atual para avaliar o risco cardiovascular.

"HDL são partículas muito complexas, com funções anti-ateroscleróticas que não são refletidas pela medição apenas da quantidade de colesterol," explica o professor Uwe Tietge, do Instituto Karolinska em Estocolmo (Suécia). "A doença cardiovascular subjacente, a aterosclerose [acúmulo de placa nas artérias], é cada vez mais reconhecida como uma doença com um forte componente inflamatório, e uma função biológica central do HDL é diminuir a inflamação."

Na verdade, este estudo é o primeiro a testar se uma melhor função anti-inflamatória das partículas de HDL de fato protege contra ataques cardíacos e outros eventos cardíacos graves.

Mais proteção para as mulheres

O estudo envolveu 680 adultos (idade média de 59 anos, 70% do sexo masculino) que vivem nos Países Baixos e que faziam parte de um grande estudo populacional iniciado em 1997.

As partículas de HDL foram analisadas em 340 pessoas que tiveram um primeiro ataque cardíaco - fatal ou não fatal -, que foram diagnosticadas com problemas cardíacos causados por estreitamento das artérias cardíacas (doença isquêmica do coração) ou que necessitaram de um procedimento para abrir artérias coronárias obstruídas durante o período médio de acompanhamento de 10,5 anos.

Os pesquisadores descobriram que:

  • Para cada 22% de aumento na capacidade das partículas de HDL de suprimir a inflamação nas células endoteliais, os participantes tinham 23% menos probabilidade de ter um evento cardiovascular durante a década seguinte;
  • a intensidade da proteção oferecida por uma maior capacidade anti-inflamatória do HDL foi maior nas mulheres do que nos homens;
  • a capacidade anti-inflamatória do HDL era maior nas pessoas que permaneceram saudáveis (31,6%) do que naquelas que sofreram um evento cardiovascular (27%);
  • a associação da capacidade anti-inflamatória com eventos cardiovasculares foi independente dos biomarcadores estabelecidos de colesterol HDL e níveis de proteína C reativa, e também foi independente da capacidade de efluxo do colesterol; e
  • a previsão de risco foi melhorada adicionando a capacidade anti-inflamatória de HDL ao Índice de Risco de Framingham, ou substituindo os níveis de colesterol HDL por esta nova medição da função anti-inflamatória do HDL.

Se os resultados forem confirmados em populações mais amplas e etnicamente variadas, o acréscimo de um teste da capacidade anti-inflamatória do HDL aos escores de risco pode melhorar as avaliações individuais e ajudar as pessoas a tomar medidas para se proteger contra doenças cardíacas, escreveu a equipe.

Checagem com artigo científico:

Artigo: High-Density Lipoprotein Anti-Inflammatory Capacity and Incident Cardiovascular Events
Autores: Congzhuo Jia, Josephine L.C. Anderson, Eke G. Gruppen, Yu Lei, Stephan J.L. Bakker, Robin P. F. Dullaart, Uwe J.F. Tietge
Publicação: Circulation
DOI: 10.1161/CIRCULATIONAHA.120.050808
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