19/01/2022

É possível reduzir número de medicamentos para idosos sem prejuízos à saúde

Redação do Diário da Saúde
É possível reduzir número de medicamentos para idosos sem prejuízos à saúde
O problema também já foi verificado no Brasil, onde um terço dos idosos está recebendo receitas de medicamentos inadequados.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Medicamentos demais

Uma intervenção realizada por especialistas da Faculdade Real de Cirurgiões da Irlanda conseguiu reduzir drasticamente a quantidade de medicamentos receitados para idosos.

É cada vez maior o número de idosos que vivem com múltiplas condições médicas, conhecidas como multimorbidade, a quem são prescritos vários medicamentos.

Isso cria uma série de problemas potenciais, desde o risco de interação medicamentosa e a dificuldade para o paciente e seus cuidadores lidarem com a ingestão correta de todos eles, até a questão dos custos, para o próprio paciente e para o sistema de saúde.

Para enfrentar esses desafios, as doutoras Susan Smith e Caroline McCarthy criaram um projeto chamado SPPiRE, sigla em inglês para "apoio à prescrição para idosos com multimorbidade e polifarmácia significativa na atenção básica".

A intervenção consistiu em um ensaio clínico randomizado envolvendo 51 clínicas de atendimento geral. Foram identificados 404 pacientes idosos com multimorbidade, cada um tomando pelo menos 15 medicamentos regularmente. Todos foram então convidados a participar de uma revisão de medicamentos com seu próprio médico.

A revisão incluiu a triagem do receituário para combinações potencialmente inadequadas de medicamentos, além de considerações sobre a oportunidade de interromper algum medicamento e avaliações sobre as prioridades do paciente para o tratamento. Em seguida, os pesquisadores avaliaram essa revisão da medicação entregue pelo clínico geral, verificando a redução do número de medicamentos e se houve melhora na qualidade da prescrição.

Interrupção de remédios sem prejuízos

Houve uma redução significativa no número de medicamentos no grupo de intervenção em comparação com o grupo de controle.

Foram interrompidos mais de 800 medicamentos para 208 pacientes da intervenção. Dos mais de 800 medicamentos cessados, foram relatados 15 eventos adversos possíveis, quase todos reações leves que pararam assim que o medicamento foi reintroduzido, indicando que a interrupção de certos medicamentos em idosos é tipicamente segura.

A qualidade da prescrição também foi avaliada, usando uma lista de verificação de combinações de medicamentos potencialmente inadequadas. Embora não tenha havido melhorias significativas na qualidade da prescrição no grupo de intervenção em comparação com o grupo de controle, no geral houve melhorias em ambos os grupos durante o período de estudo, refletindo um maior cuidado dos médicos de família, que sabiam da intervenção.

"A abordagem de intervenção para gerenciar este problema desafiador é promissora e demonstra que, mesmo neste grupo muito complexo, interromper medicamentos que podem não ser mais necessários ou apropriados é possível e geralmente seguro," concluiu a Dra Susan Smith.

Checagem com artigo científico:

Artigo: GP-delivered medication review of polypharmacy, deprescribing, and patient priorities in older people with multimorbidity in Irish primary care (SPPiRE Study)
Autores: Caroline McCarthy, Barbara Clyne, Fiona Boland, Frank Moriarty, Michelle Flood, Emma Wallace, Susan M. Smith
Publicação: PLoS Medicine
DOI: 10.1371/journal.pmed.1003862
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