03/06/2019

Médicos denunciam excesso de diagnóstico de esquizofrenia

Redação do Diário da Saúde
Médicos denunciam excesso de diagnóstico de esquizofrenia
Embora seja difícil prevenir a esquizofrenia, os relatos de sonhos ajudam a diagnosticar a condição.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Diagnóstico de esquizofrenia

Cerca de metade das pessoas encaminhadas para uma clínica especializada com diagnóstico de esquizofrenia simplesmente não tinham a doença.

A esquizofrenia é um distúrbio crônico, grave e incapacitante, marcado por pensamentos, sentimentos e comportamentos desordenados. Pessoas que relatavam ouvir vozes ou ter ansiedade foram as mais propensas a serem diagnosticadas erroneamente.

Em um relatório publicado no Journal of Psychiatric Practice, a equipe da Dra. Chelsey Coulter, da Universidade Johns Hopkins (EUA), relembra que as terapias podem variar amplamente para pessoas com esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão grave ou outros tipos graves de doenças mentais, e que diagnósticos errôneos podem levar a tratamentos inadequados ou à demora no início do tratamento.

Os resultados, escrevem os autores, sugerem que "as segundas opiniões em uma clínica especializada em esquizofrenia após o diagnóstico inicial são esforços sábios para reduzir o risco de diagnósticos incorretos e garantir o tratamento rápido e apropriado do paciente".

"Como nos últimos anos temos chamado a atenção para os sinais emergentes e os primeiros sinais de psicose, o diagnóstico de esquizofrenia é como um novo modismo, e é um problema especialmente para aqueles que não são especialistas em esquizofrenia porque os sintomas podem ser complexos e enganosos. Erros de diagnóstico podem ser devastadores para as pessoas, particularmente o diagnóstico errado de um transtorno mental," acrescentou Krista Baker, membro da equipe.

Ouvir uma segunda opinião

O novo estudo foi motivado, em parte, por indícios esparsos entre os médicos especializados da universidade de que um número razoável de pessoas estavam claramente diagnosticadas incorretamente. Esses pacientes geralmente tinham outras doenças mentais, como depressão.

O pesquisador Russell Margolis alerta que o estudo ainda é limitado - menos de cem pacientes -, mas que o assunto é sério o suficiente para justificar atenção.

"Assim como um clínico geral encaminha um paciente com um possível câncer para um oncologista ou um paciente com possível cardiopatia para um cardiologista, é importante que os profissionais de saúde mental recebam uma segunda opinião de uma clínica especializada em psiquiatria, [principalmente] para pacientes com condições confusas, complicadas ou severas. Isso pode minimizar a possibilidade de que um sintoma seja deixado de lado ou superinterpretado," disse Margolis.

Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, a esquizofrenia afeta cerca de 0,5% da população mundial e é mais comum em homens. Sintomas como pensamentos desordenados, alucinações, delírios, emoções reduzidas e comportamentos incomuns podem ser incapacitantes, e os tratamentos com medicamentos geralmente criam efeitos colaterais complicados.


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